Silversun






O Silversun não estava tão divertido naquele dia... Quer dizer, não para mim. O bar estava lotado como sempre, mas a banda, que tocava alucinadamente no palco, parecia meio chata e até os bêbados já estavam naquele estado de começo de depressão.
Olho para o celular e não vejo nenhuma luz piscando.

Bom, não posso mais esperar ligações de madrugada...

-O que você tem? Parece meio triste...
-Não, que isso. Estou muito feliz por estar aqui com você.
-Sei lá. É que você esta meio... Frio...
-Nada. Uma leve crise existencial... Vou beber pra melhorar... Desce uma! Rs
-Ah ta... Rs

Essa ai nem deve saber o que é uma crise existencial

Vou ao banheiro e antes de entrar dou uma olhada para a fila da entrada feminina.

Gigante como sempre

Para no mictório e fico brincando de acertar a pedra de gelo enquanto os outros biombos ao meu lado vão sendo ocupados pelos mais diversos tipos de caras.

No último tinha um com o maior moicano que eu já tinha visto

O Silversun tinha o lavatório mais estranho do mundo... Balões com formato de ovelhas ficavam pendurados no teto. Quando os ventiladores do local sopravam, as ovelhas se batiam umas nas outras.

Malditas ovelhas... Nunca gostei delas...

-Então a fila do banheiro feminino estava grande?
-Como sempre...
-Pelo menos nisso os homens tem sorte. É só abrir a calça e urinar. Rs
-Sem duvida. RS. Vamos sair daqui?
-Pra onde?!
-Não sei.
-Você tem carro por acaso? Estamos a pé, e essa hora pra ônibus no Rio...
-Confia em mim?

Ela não respondeu, mas eu sabia que não... E isso, na verdade, não importava...

Quem eu quero que confie em mim confia... Mas... E ai... Ponto.

Puxei-a pelo braço e fomos andando até a calçada.
Fiz sinal para o primeiro taxi e ele não parou. Ela me deu um beijo no rosto foi, quase, para o meio da rua e parou um só em olhar para o motorista que perguntou quando nos sentamos:

-Pra onde rapaz?
-Vamos para a praia.
-Ok.

Ela me olhou já se preparando pra perguntar o que íamos fazer na praia de madrugada com algumas cervejas na mão, mas eu não dei oportunidade beijando-a primeiro.
Quando chegamos paguei o motorista e fomos andando na direção da escuridão onde estava a areia.
Sentamos e fiquei olhando para o céu estrelado com a minha cerveja de um lado e ela do outro me abraçando enquanto conversávamos sobre as maiores besteiras...

-E então?
-E então o que?
-Nós viemos aqui conversar?
-Por que... O que você esperava?
-Algo mais intenso.
-Algo mais intenso do que eu sinto no momento é difícil...
-Não entendi...
-Exato... Acho que eu entendi... E entender é uma m...

Umas duas horas depois ela fez de novo o seu truque da madrugada e pegamos mais um táxi que nos levou para casa.
No dia seguinte, antes de pegar o avião e viajar de volta, ela me ligou, uma última vez, para desejar boa sorte e dizer até a próxima.

Essa foi boa idiota...

0 comentários: