1 ano de Matutando




Sei que esta tarde, mas é que só fui lembrar agora... rs

Assista em HD no Vimeo.

Último antes do cd



A banda de rock Zander irá fazer o seu último show em terras cariocas antes de fechar para balanço no dia 2 de julho no Planet Music em Cascadura.
O ingresso custa sete "biringotes" e mais quatro bandas foram convidadas para tocar.
A Zander é formada por ex-integrantes do noção de nada, Discoteque, Deluxe Trio e Reffer além do atual guitarrista do Dead Fish Philippe Fargnoli.
As letras ficam a cargo de Gabriel Zander cujo trabalho acompanho desde a primeira música que ouvi, ainda na época de Noção, e não parei mais de escutar.
Costumo dizer que eu conseguiria fazer a trilha sonora da minha vida inteira só com as letras e músicas que ele já escreveu.
Vale a penna passar lá e ouvir.
Para mim a Zander é uma das bandas de rock mais vibrantes do cenário atual e o som, bem construído, junto as letras de Gabriel Zander continuam fazendo a diferença.

"... Pegue uma senha aguarde a sua vez e obrigado por nos escolher! ..."

Zander

My truth smile

Camisa

Na rua...

-Adoro essa camisa azul
-Isso não é azul. É lilás
-Claro que é azul
-Lilás
-Azul
-Lilás
-Azul

Raphael que cor é essa?!

-Verde...

É esse cara no espelho que eu quero quebrar

“Onde esta o meu sono e por que ele me deixou...”

Roberto pensava enquanto, sentado sobre a tampa do vaso, colocava a cabeça entre os joelhos.
Abriu uma fresta na porta e observou a mulher que conhecia a pouco menos de três semanas e agora estava deitada na cama observando o teto espelhado no lado de fora.

Odeio teto espelhado

O celular tocou e uma música do Radiohead invadiu o cômodo. De longe pode ver a luz indicando uma nova mensagem no celular e correu para ver antes da quase desconhecida pegar o objeto.

-Eu só ia ver o que era....
-Eu sei. É que ouvi tocar e corri

As letras do texto noticiavam o acidente de uma grande amiga e Roberto logo se pôs a colocar a roupa.

-Onde você esta indo?
-Desculpe, tenho que ir embora
-Já?!
-Sim. É importante mais tarde ligo
-Você esta falando sério?
-Sim
-Se você sair por essa porta nunca mais me ligue. Não sou uma prostituta que você liga e descarta!
-Ok

Se ela não era pelo menos agia como uma. Que mulher sai com um homem no meio da semana após uma simples e rápida ligação desesperada no final do expediente de trabalho.

Muitas com certeza... Até parece que não sabe...

Depois da ligação se recuperou do susto, já que nada de mais grave tinha acontecido com a amiga, e rumou para casa.
Roberto estava tentando evitar toques de celular com músicas melosas, qualquer coisa que lembre bandas com cubos e manchas causadas por prováveis atos sexuais.
Ele não odeia o banco Bradesco e muito menos aquela outra serie de coisas, pois quem diz isso engana a si mesmo e a quem esta perto. Pior do que tentar enganar você mesmo é enganar quem te ama incondicionalmente.
Roberto descobriu que existe um filme com esse final. É triste, mas é um final feliz de alguma forma e é exatamente como deveria ser apesar de tudo:

“Eu preferiria...
Sentir o cheiro de seus cabelos,
Dar um beijo...
Tocar uma vez em sua mão...
A passar a eternidade sem isso...”

City of Angels (trecho de dialogo traduzido)

Ia ser uma merda ter que pagar aquele o concerto




O cheiro daquela rua perto da boate sempre enjoou Davi. Era uma mistura de mijo, mendigos e cerveja que aquela altura lhe embrulhava o estômago.
Se Deus protege as crianças e os bêbados ele tinha esquecido de um naquela madrugada de frio congelante que logo seria exponencialmente aumentada pela viagem de moto na volta.
Despediu-se da mulher que o acompanhava levando-a até um Táxi (os ônibus para determinados locais eram complicados de se achar às 5 da manhã no Rio de Janeiro) e seguiu para um famoso bairro local debaixo de arcos onde o seu veículo estava estacionado.
Pensou em levá-la junto, mas isso implicaria numa continuação da discussão da boate e num consequente sexo para fazer as pazes num motel pé sujo qualquer do local o que, definitivamente, não era a sua intenção num dia dos namorados em que eles deviam estar completamente cheios.
Tentou refazer um caminho conhecido de tempos atrás quando participou de uma serie de shows noite adentro horrível.
O lugar onde o palco ficava agora estava vazio e só as pedras portuguesas sujas características da praça habitavam lá. Davi pede uma cerveja no bar e senta-se no mesmo banco do evento. Toma um gole e volta ao caminho.
É impressionante como as mulheres se divertem nas madrugadas cariocas com os mais diferentes tipos de abordagem. Elas podem sair sem um centavo no bolso e se divertir só as custas de otários como os que eu vi.
Atravessa a rua e passa pela série de bares, agora muito menos lotados do local, sentando num gramado logo ali perto e comprando mais uma cerveja com um ambulante.
Viu um mendigo, mas não sabia se era o mesmo da noite horrível, e passou os olhos pela igreja para onde ele tentava levar as meninas incautas de madrugada. 300 metros a sua frente estava o estacionamento e ele decidindo que não era bom ficar ali parado, mesmo sem se importar, foi pegar a moto para ir embora.
Deu um amistoso bom final de semana ao guardador sem olhá-lo e já dando o dinheiro seguiu em direção a moto.
Desligou o alarme, sentou, colocou o capacete e a ligou.
Depois de um minuto pensando em mil acontecimentos partiu buzinando logo que passou pela guarita.
O caminho era longo e antes de pegar a estrada tinha a sua frente uma extensa rua com quatro sinais. O primeiro estava vermelho e os outros amarelos prontos para fechar.
Parou antes da faixa de pedestres, esperou o primeiro sinal abrir, acelerou e fechou a viseira enquanto os outros fechavam.
Sem buzinar chegou à quinta marcha e a aceleração máxima em 15 segundos.
Passou pelo primeiro e ao olhar para os lados não viu nenhum veículo na transversal a não ser o dele em alta velocidade. A mesma situação se repetiu na segunda esquina quando ele ouviu mais um ronco de motor além do seu à frente. Ignorou e continuou com os punhos cerrados, na moto em aceleração máxima, quando viu a silhueta do ônibus quase ao mesmo tempo em que entrava na reta final.
Fechou os olhos e continuou.
Logo depois que a moto passou pelo gigante cheio de passageiros um pedaço da roda traseira de Davi foi tocado e ele foi lançado da moto a uma grande distância.
Sua lembrança depois disso foi acordar em meio a um número sem fim de passageiros desesperados. Sem nenhum arranhão sequer e com algumas partes do corpo doloridas ele se aprumou, agradeceu e ligou para um reboque como se tivesse apenas caído no chão.
Ia ser uma merda ter que pagar o concerto daquela moto.

"...Se acaba bem
Quem é que vai dizer?
Não perguntei, nem procurei saber
Vou enxer seu copo sem perguntar
Te oferecer e depois cobrar
E a gente vai gritar
Mais alto que der
Ninguém vai poder nos convencer
De mãos dadas e de pé
Até o mais longe que der..."

Zander

Lições

Na boate...

-Você é um idiota!
-Por acaso você é a minha namorada?!
-Não
-Então não grite
-Você não parecia ser assim...
-Não era, mas tive boas lições durante a vida...
-Que?!
-Você não ia embora?
-Não vou me privar da festa por sua causa...
-Sei...



NIN - Closer (Tradução)

"você me deixa violentá-la
você me deixa profaná-la
você me deixa penetrá-la
você me deixa complicá-la

Ajude-me
eu me quebrei por dentro
Ajude-me
eu não tenho alma para vender
Ajude-me
a única coisa que funciona para mim
Ajude-me
a fugir de mim mesmo

eu quero fudê-la como um animal
eu quero senti-la por dentro
eu quero fude-la como um animal
toda minha existência é falha
você me faz ficar mais perto de Deus

você pode ter meu isolamento
você pode ter o ódio que isso traz
você pode ter minha ausência de fé
você pode ter meu tudo

Ajude-me
a derrubar minha razão
Ajude-me
é o seu sexo que eu posso cheirar
Ajude-me
você me faz perfeito
Ajude-me
a me tranformar em outra pessoa

eu quero fudê-la como um animal
eu quero senti-la por dentro
eu quero fude-la como um animal
toda minha existência é falha
você me faz ficar mais perto de Deus

através de cada floresta, acima das árvores
dentro do meu estômago, sem meus joelhos
eu bebo o mel dentro de sua colméia
você é a razão pela qual eu permaneço vivo"

Colaboradora

E a banda continuava a tocar
Na minha frente aquele rosto impaciente
Que eu aprendi a reconhecer
E que preferiu me deixar esmorecer

Vamos nos divertir
Dançar e sorrir
Sobre noite e lua
Grama e rua
Lavrada ou arcada
Amada ou ignorada

O espaço entre nós
Parece crescer
Como amor que sempre terei por você
Me mate ou me dê um tiro
Me diga a verdade
Me deixe ceder
E repita: Eu não mais você

O cheiro tão característico
Não me traz mais conforto
Apenas a certeza
Daquelas quatro palavras
Como um ponto final sobre a mesa

A velocidade é minha aliada
Com ela desafio o tempo em disparada
Gostei do sabor
Da garota da boate
Mesmo sem nunca ter me visto
Ela me disse mais uma verdade
Você nunca esteve comigo

Como se destrói um ninguém?
Essa você conhece bem!

O espaço entre nós
Parece crescer
Como amor que sempre terei por você
Me mate ou me dê um tiro
Me diga a verdade
Me deixe ceder
E repita: Eu não mais você

Zack Deat - Sonhos



"Leia ouvindo a música acima"

Zack Deat acordou e não viu e esposa do lado direito da cama.
Tinha perdido as contas de quantas vezes tinham brigado por aquele maldito pedaço de colchão no inicio do casamento... Levantou e foi beber um copo d’agua quando viu o recado na cabeceira: “Não esqueça de colocar as frutas na lancheira das crianças... Beijo. Te amo”.
Tinha se esquecido que a mulher ia passar o dia fora ajudando uma amiga com o casamento.

Odiava aquela amiga...

Chegou na cozinha e, enquanto enchia o copo com água gelada do filtro, atirou o papel que a esposa havia deixado no lixo acertando com êxito bem no meio da lixeira. Olhou para o relógio da cozinha: 3:00, sentou-se na sala, ligou a TV e deixou o corpo relaxar.

...

Depois de 20 minutos tentando não conseguiu pegar no sono. Decidiu colocar uma calça jeans Calvin Klein, uma camisa do Led Zeppelin e saiu para um famoso reduto da bohemia local em seu carro com só um pensamento na cabeça: “Que tal uma brincadeirinha de madrugada hoje Deat?”
Rapidamente conseguiu um lugar para estacionar no lugar abarrotado de gente. Aparentemente os freqüentadores, apesar de numerosos, não tinham uma condição financeira grande facilitando quem tinha um veículo de transporte próprio.
Comprou uma cerveja numa barraca sentou num ponto do local mais aberto e observou possíveis alvos da traquinagem.
Um mendigo tarado, dois violinista em busca de dinheiro, um jovem bêbado perdido, uma garota bebendo andando do outro lado da rua...

Sim ela!

Seguiu a menina e pensou em abordá-la quando ela encostou perto de um homem fumando e lhe deu um beijo de tirar o fôlego. Isso definitivamente tornava as coisas mais difíceis, porém já eram quase 4 horas e eles iam ter que ir embora mais cedo ou mais tarde... Ia ser a hora em que iam ter que pegar o ônibus...

A hora em que iam ter que pegar o ônibus...

Esperou e não demorou muito para que suas previsões se realizassem. Depois de 20 minutos eles saíram e esperaram o ônibus na extremidade de uma praça ali perto. Com um copo de Whisky na mão Zack Deat observava os dois se agarrando em plena praça. Aparentemente o clima estava quente e algo ia acontecer quando o ônibus chegou.
Deat correu e pegou o mesmo veiculo sentando perto do trocador enquanto o casal foi para o último banco.
A garota de saia sentou no colo do rapaz e começou a rebolar.
Sim, eles estavam transando dentro do Ônibus e Deat se excitou junto preparando a traquinagem para quando eles descessem, o que logo aconteceu.
O rapaz se despediu dela no ponto acendendo um cigarro e virando na esquina enquanto a garota contornou a rua e seguiu reto.

Era agora...

-Olá
-Oi
-Aonde você vai?
-Olha aqui: Me deixa passar se não eu grito...
-Pra quem? Para quem você irá gritar?
-Meu namorado esta vindo me encontrar...
-O mesmo que eu vi agora a pouco se matando com um cigarro e beijou uma outra garota naquela festa em que vocês estavam?
-Do que você esta falando?!
-De nada

Pôs-se a correr, como um jogador de futebol americano, pegando a garota e a levando para dentro de um terreno baldio onde a colocou no chão e a imobilizou.

-Pelo amor de Deus o que você quer!? Não me machuque!
-Relaxe como você fez no colo do seu namorado no ônibus.
-Ah meu Deus!
-Você acredita nele?!
-Em quem?!

Deat tirou um canivete do bolso e o cravou vagarosamente no ventre da menina enquanto observava a face de dor dela...

Pai pai pai!!!
Deat toma um susto e acorda...


-Esta na hora de ir pra escola!
-Nossa desculpe filho, eu peguei no sono aqui no sofá vendo TV
-A gente vai ao casamento da amiga da mamãe hoje ainda?
-Sim. Claro que sim. Já vou me arrumar.
-OK
-Não esqueça de colocar umas frutas na sua lancheira e na do seu irmão
-Te amo pai
-Eu também filho... Eu também...