Obsessões






Hoje me disseram que sou muito autocrítico.
Disseram que não cito minhas virtudes e sim os meus defeitos, que não exalto minhas glórias e sim as minhas derrotas, que não conto às mulheres que conquistei e sim a que não posso ter.
Realmente tenho essa conduta, mas não por querer me depreciar e sim por uma obsessão em ser bom em tudo que faço.
Isso foge do meu controle.
É difícil fazer algo e perceber que existem pessoas melhores.
Nunca às invejei, tenho convicção disso, mas não posso me vangloriar de algo onde sei que existem pessoas que fazem muito melhor.
Durante muito tempo fui obcecado pela musica. A minha guitarra era uma das coisas mais importantes em minha vida. Isso me deu o combustível que justificou o meu empenho e com o tempo uma considerável destreza no instrumento. Infelizmente esse sonho foi sendo minado por sucessivas saídas de bandas, que partiam de mim mesmo, até minha última empreitada em que eu depositei todas as minhas fichas e as perdi.
Consegui, incrivelmente, descobrir outra profissão que gosto e isso para mim já é um grande feito.
É claro que tudo tem um preço.
Acho que foi por isso que em troca desse sonho encontrei outro que já virou uma obsessão na minha vida.
Tudo tem um preço e a autocrítica elevada é uma forma de se proteger de determinadas coisas.
Privar-se da glória é uma forma pessoal de não ceder às tentações do comodismo.
No livro A Torre Negra, Stephen King conta a história de um pistoleiro chamado Roland e sua obsessão: A torre negra.
Eu tenho uma torre negra pra seguir, mas não passo por cima de ninguém, como o personagem de King faz, para atingir os meus objetivos.
Minha excessividade em autocríticar é uma tentativa de aperfeiçoamento próprio para atingir o meu objetivo e minha obsessão por ela é algo, que já tentei esquecer inutilmente.

Em outro lugar





Minha vida no colégio pode ser dividida basicamente em duas partes: antes e depois do primeiro grau.
Durante esse período da minha vida eu poderia ser chamado de nerd por qualquer um facilmente e sem duvidas. Andava sim com pessoas que gostavam de rock, jogavam RPG, ficavam com pouquíssimas garotas e eram frequentemente zoadas por terem esses hábitos.
Eu sinceramente não tinha nenhum problema com isso, como até hoje não teria, mas os dias de tapas e excrotices dos meus colegas de sala me revoltavam. Nessa época já existiam aqueles estereótipos que habitam o famoso nicho das salas de aula:
“Os populares”
“Os pegadores”
“Os zoados” - que tem uma cabeça descomunal, por exemplo, mas que andam com os populares
“As magrelas” - metidas a gostosas
“As gostosas”
“Os nerds”
E aqueles que não fedem nem cheiram
Eu fazia parte dos nerds, que não estudavam, mas que tinha amigos muito fiéis. Eles são meus grandes amigos até hoje e me orgulho muito disso e de cada um.
A revolução começou a acontecer quando mudei de colégio na passagem da oitava série para o primeiro ano do segundo grau. Tinha estudado boa parte da minha adolescência num único colégio e admito que a idéia de mudar parecia assustadora.
Confesso que tive muita sorte.
Ingressei num dos melhores colégios do Rio com pessoas que tinham um poder aquisitivo alto, ao contrário desse que vos escreve, e fiz amizades com pessoas populares de uma forma incrivelmente rápida. Por algum motivo a menina mais bonita da sala viu algo em mim e nós namoramos, por quase um ano letivo inteiro, o que me deu a possibilidade de participar do grêmio e de, pela primeira, vez alcançar um nível de popularidade alto, posição que sinceramente nunca almejei.
As festas eram incríveis, as aulas monótonas com minhas notas sempre raspando e os intervalos sensacionais. Na hora da saída então...
Alguns anos mais tarde, porém, descobri que na verdade eu deveria estar num outro ponto do Rio, em um outro baile com a garota mais linda do mundo que estava sozinha por algum motivo que eu não consigo conceber.
-Alguém tem uma maquina do tempo ae?-
Mas todo adolescente é meio idiota mesmo.
Como disse o cara do Who:

People try to put us down (talkin' bout' my generation)
Just because we get around (talkin' bout' my generation)
Things they do look awful c c cold (talkin' bout' my generation)
Hope I die before I get old (talkin bout my generation)

Tradução:

As pessoas tentam nos colocar pra baixo(falo da minha geração)
Só porque estamos por todos lados(falo da minha geração)
As coisas que eles fazem parecem terrivelmente frias(falo da minha geração)
Espero morrer antes de ficar velho(falo da minha geração)

Sóbrio





A sobriedade já não me cai tão bem quanto antes.
Nuvens cinza cobrem o céu e insistem em mostrar a sua força com relâmpagos. Antigamente eu, tolamente confesso, tentava manter a serenidade numa tentativa vã de demonstrar coragem.
Não tenho mais esse objetivo por que eles já não fazem o mesmo efeito.
Caem do céu e causam um estrondo enorme por nada. Nunca fui atingido por um raio ou conheci alguém que tenha sido prejudicado por ele, com exceção daquelas pessoas na TV, que são como funcionários do IBOPE onde você os vê nas pesquisas, mas não conhece nenhum.
Qual é o motivo de tanta algazarra?
Por que tanta palhaçada só pra anunciar a chuva?
Por que não anuncia com tal vivacidade os dias de sol que, aí sim teriam uma introdução à altura do espetáculo que estaria por vir.
Não percebe que ela fica triste, pelo que sei, em dias chuvosos?
Muitas pessoas ficam pensativas em dias de chuva, clipes de bandas sem dinheiro são gravados, e batalhas espetaculares são travadas em filmes como a de Neo VS Agente Smith (MATRIX).
Reconheço a importância.
Porém, muitas coisas já não têm o mesmo efeito sobre mim, seja pela falta de sobriedade ou não.
Infelizmente sempre existem aquelas que por menos sóbrio que você estiver e por mais que se passem quatro anos de faculdade continuam imutáveis.

Obs: Esqueci de tirar a foto quando choveu. Então vai essa mesmo...

Janela



Tenho tido muito pouco tempo para reparar no que existe ao meu redor em casa. Trabalho, faculdade, cursos e amigos têm consumido o meu tempo de uma forma impressionante nos últimos anos.
Hoje acordei no meio da madrugada, em mais uma noite mal dormida, e me dei conta de que haviam construído um muro na minha janela.
Meu quarto é um cubículo, de poucos metros quadrados, que só tem duas aberturas: a porta e a janela. A segunda desde que me lembro tinha uma grade o que muito me incomodava, mas era algo com que eu podia conviver. Agora um muro já é demais.
Insone não conseguia nem me mexer para olhar em volta. Meus olhos estavam fixos naquela janela totalmente tomada por um muro de tijolos horrível que me dava uma sensação de sufocamento, estava difícil de respirar.
Como numa madrugada você acorda e percebe que há um muro, de não sei quantos metros, que o impede de ver o céu?
Com a minha falta de movimentos por preguiça ou por querer imaginar coisas absurdas, fato que tem se tornado bastante recorrente nos últimos tempos, tentei imaginar como estava a minha porta naquele momento.
Por que eu não conseguia me virar para dar uma espiada?
Será que lá havia um muro também?
Se houvesse eu estaria em sérios apuros. Só aquela visão na minha janela já me sufocava. Se eu me virar e meus pensamentos estiverem realmente certos poderei ter um ataque de claustrofobia, mal que nunca tive, ou que pelo menos nunca se manifestou, e morrer.
Bom, pelo menos assim irei ver o que tem no topo daquela monstruosidade que se ergueu de repente frente aos meus olhos.
Isso se eu fosse para o céu e claro.
E se tiverem erguido essa barreira aos poucos?
Eu só uso minha casa para dormir e nas manhãs de sábado e domingo. Não me surpreenderia nada se essa vizinhança (excrotos!) tivessem resolvido se vingar desses 22 anos de musica alta que, eu de forma absurda, sempre achei que pudessem disfarçar a vinda de minhas namoradas aqui na ausência dos meus familiares.
Entre algum desses loucos deve ter um “metido a Jigsaw” que armou isso pra mim. Logo que eu me levantar acionarei um dispositivo que ligará minha TV reproduzindo um vídeo com instruções, sobre uma prova insana, que terei de realizar para salvar minha vida e consequentemente, minhas aventuras musicais e sexuais...
Por favor, será que esses velhos não tiveram adolescência?
E do que eu estou falando?
Sou pacato, até demais, perto de pessoas que conheço e “cagam” para tudo e, as vezes, para todos.
A minha maior virtude é a de não enganar ninguém. Jamais declarei que gosto sem ser absolutamente sincero. Isso deve valer de alguma coisa.
M...
Acho melhor eu tentar dormir. Assim quando eu levantar e a prova começar estarei bem disposto e com maiores chances de sobreviver e...

Esperando




30 min

Por que eu vou tirar carteira de moto?
Sei lá... Talvez por que essa cidade esteja cheia de carros em engarrafamentos gigantescos e por eu estar cansado de pegar o meu ônibus diário que demora, em média, meia hora por dia.

Meia hora é uma eternidade!

Sei lá, quantos planetas e estrelas podem ser simplesmente engolidos por buracos negros em meia hora?
Aliás, acabaram de descobrir um na Via Láctea, então fiquemos atentos.
Se eu somasse todas as "meias horas" que já passei esperando esse ônibus, poderia fazer inúmeras coisas: Uma pós-graduação, ir para alguma festividade e encher a cara, ficar com uma mulher e chama – lá pelo nome daquela que sempre penso ou até mesmo fazer uma viajem para bem longe, como aqueles quarentões em crise, são boas opções que me vem a cabeça agora.

40 min

Isso se pra fazer a viagem eu não tiver que pegar esse ônibus...

A moto é um veiculo muito mais descomplicado, não tenho a obrigação de andar com ela abarrotada de gente numa viagem e muito menos dar caronas indesejadas, já que, eu só tenho mais um lugar.

Egoísta?

É talvez eu seja. Essa é uma boa definição para quem tem moto.
Uma pessoa que tem uma esta quase dizendo: “Sou muito seletivo, você acha que atende aos requisitos para me pedir uma carona?”

E os mototaxis?

Bem, esses são a escória do veículo, estragando toda uma história de estupidez, ignorância, bares e estradas.
Um dia desses, eu vi um grupo com uma camisa preta com dizeres amarelos. Nela estava escrito: “Mototaxi, pode confiar” e depois aquele bonequinho de cara amarela piscando do MSN. Isso mesmo o do MSN!
O vocalista do steppenwolf (Born to be wild) devia estar se revirando no tumulo naquela hora.

Isso se ele estiver morto?

Não importa. Estou entrando para o clube para mostrar a essa corja como se pilota de verdade e...

50 min

Argh, corja essa que o motorista do ônibus que irei pegar COM CERTEZA faz parte para demorar tanto...

A facilidade de se estacionar, por exemplo, é imensa. Em todo estacionamento tem aquele quadradinho, reservado para os motoqueiros, que proporciona uma grande praticidade, pois geralmente fica próximo a entrada.

A facilidade de roubar também é grande. É só sair empurrando a moto. Quanto custa um seguro de moto?

Ahh, estamos no Rio de Janeiro! Se você largar um canhão por aqui e der uma volta no shopping existe uma grande chance de ele ser roubado, afinal de contas os bandidos gostam de veículos grandes e blindados para a fuga.

1 hora

Finalmente eu vislumbro um final para essa odisséia... aff

Subo no ônibus

Você sabe












Um dia chuvoso, você sabe como eu sinto?
Esperando no shopping, você sabe como eu sinto?
Conversando com os amigos, você sabe como eu sinto?
À noite em qualquer lugar, você sabe como eu me sinto?

-alguém já ouviu “feeling good” do muse?-

Por tudo que já aconteceu provavelmente sabe sim. Então por que eu continuo escrevendo, neste maldito blog, histórias com personagens que tem mais citações de minha vida do que qualquer outra coisa?
Talvez seja uma forma menos “mariquinha” de se fazer um diário, já que quase ninguém lê isso, ou só quem importa.
Às vezes acho que estou sempre no momento errado na hora errada

-Tenho bebido muito para esquecer aquela que sempre lembro no final de tudo-

Temo cair nesse clichê para o resto da minha vida. Essa, aliás, vêm sendo uma palavra recorrente nas minhas postagens. Talvez eu seja um cara de clichês: Sou um musico frustrado, talvez daqui a algum tempo, um jornalista mais ainda e tenho um amor impossível. Tenho convicção de que alguém terá que se superar para ser mais clichê que eu.

-Queria saber o que você esta pensando agora-

E falar sobre clichê, talvez, seja mais clichê ainda, ou não?

Em construção


















-No caminho para o cabeleireiro-

Você tem uma característica que faz com que todos o reconheçam? Aquela parte de você que só de citarem, a sua imagem vem à cabeça...
Bom, eu tenho e estou prestes a perdê-la.
Desde a minha adolescência tenho uma peculiaridade que me diferencia e que gerou o meu apelido que considero como o meu segundo nome: Cabelo. O meu pode ser comparado ao do zagueiro espanhol Puyol, que em muito se parece.
Fui acometido por um repentino e letal ataque de piolhos, que não sei onde consegui, e acho que vou ter que mudar minha identidade. Terei de cortá-lo com a máquina 1 para que ele fique bem baixo e os malditos me deixem.
É impressionante como coisas tão pequenas podem ter criado com o tempo imunidade a todo o tipo de xampu e remédios como o famigerado Kuel.

-Tropeço numa pedra na calçada-

Argh, maldita cidade...
Talvez seja por eu morar tão mal que tenha sido castigado com essa praga. Só um lugar muito ruim tem calçadas tão irregulares assim. Quando em toda a sua vida você estaria andando em Copacabana, Ipanema ou Leblon e teria que ficar pulando as irregulares calçadas de uma casa para outra?
Estou fazendo os cem metros com barreira só para mudar minha identidade (cortar o cabelo), acho que começarei a treinar para a próxima olimpíada, afinal em esportes com pouca tradição o simples fato de chegar lá já me renderia um belo patrocínio. Isso seria compensador. Já que vou ser uma nova pessoa, que pelo menos fique rico dessa vez.
Estava pensando inclusive em mudar de nome. Como será que meus amigos da rua vão me chamar agora? Será que eles chegaram à porta da minha casa e dirão: oooo sem cabelo!?!
Parece um chamado grande e estranho demais...
Eu poderia ser um skinhead, ou até mesmo ir para a Rússia e me tornar um soldado ou um astronauta. É talvez fosse possível, talvez...
Poderia ir ao cartório e pedir a mudança para o nome de alguém famoso:

Barack Obama... Uhn, pop demais
Michael Jackson... Não é mais tão pop e agora é muito estranho
Steven Spielberg... O ultimo filme bom que me lembro dele foi Jurassick Park
Galvão Bueno... Esse não...

Já sei: Eric Clapton dos Santos!
Bom, pelo menos o cara tem o título de Sir na Inglaterra e, até onde eu sei, sempre foi ele mesmo.
Esta decidido, amanhã mesmo mudarei meu nome. Vou ao cartório e logo de manhã todos conheceram uma nova pessoa. Antes que me vejam em casa e queiram me matar por acharem que um desconhecido a esta invadindo.
Não serei nada mais que um primo distante que se mudou para cá enquanto “eu” consegui um emprego em São Paulo e deixei a casa para ele.

-Pela manhã, pouco depois das 8 horas um vizinho me grita do outro lado da rua-

I ae Cabelo como é que vai?
Cortou a Juba né?

"Yes We Can"




Há muito tempo não me permito surpreender com as boas coisas que acontecem na política. Depois de tantas mazelas qualquer virtude política pra mim é largamente desvalorizada pelas besteiras feitas pelo próprio ou pelo seu vice, ministro ou membro da secretária de pesca. Secretariado este que, faço questão de dizer, é creditado ao governo Lula.
E com toda essa minha descrença algo realmente conseguiu me surpreender positivamente no lugar mais improvável do mundo, os Estados Unidos da América. A eleição de Barack Obama é algo espetacular, um feito comparável as grandes conquistas da humanidade. Um “negro Havaiano” (no melhor sentido da expressão possível) conseguiu superar adversários de peso como Hilary Clinton, dentro de seu próprio partido, e John Mccain que foi seu adversário na corrida presidencial.
Confesso quer cheguei a achar que Obama não ganharia. Os americanos são certinhos demais e ele os testou ao confessar que já tinha usado, em sua juventude, cocaína, maconha e álcool.
O mundo não precisa de um salvador, ele precisa de seres humanos dignos que admitam as suas falhas como todos nós temos.
Não sei se acredito plenamente na revolução de Obama, acreditei na de Lula, em seu primeiro mandato no Brasil, e não fui nem um pouco bem sucedido, mais algo nele me da esperança. Barack Obama é pop, eu sei, e acredito que o seu “Yes We Can” conquistou muitas pessoas desacreditadas na política mundial.
Não sou Estadunidense e muito menos Afegão ou Paquistanês para ser diretamente atingido por suas medidas, mais acredito que hoje o capitalismo, e consequentemente o mundo, tem um chefe muito mais inspirador e digno do que qualquer outro em anos.

Mais do que você




-Você acha que eu sou artificial?
-Claro, totalmente.
-Quem é você pra me dizer isso?
-Ninguém, e esse é o problema não é? E se eu fosse alguém...

Era um simples bate papo com uma desconhecida, na internet, que pelo visto era aventureira demais para o meu gosto, pois percorria o mundo todo com uma mochila e sem nenhuma garantia de que teria o que comer no dia seguinte.
Dizia que tinha muito mais do que um diploma de engenharia civil pendurado na sala e um bom salário, ela tinha liberdade.
Louca...
Que liberdade utópica é essa que ela falava?
Por que ela não tenta exercer o direito básico dela de se alimentar aqui sem dinheiro pra ver o que vai lhe acontecer.

-Eu construo sonhos, moradias para você deixar a seus filhos e netos!
-Exato, você constrói e financia sonhos. Eu não quero um sonho financiado! Não quero dividir o meu sonho em 60 parcelas.

Tola, o que deixará para os seus filhos... Uma viagem e uma transa na Holanda, um mergulho no Havaí um pulo de asa-delta...
Não preciso passar pelo frio europeu, tenho o meu casaco e um aquecedor, não preciso das viagens clandestinas, vou de primeira classe. (risos)

-Não preciso disso. Tenho tudo, e você o que tem?
-Nada.
-E então...
-E então nada. Na tenho nada, e isso é mais do que você jamais terá.
-Eu tenho tudo.
-Você tem previsibilidade, se acha que isso é bom tudo bem...

Não sou nada previsível, tive conquistas demais em minha vida para ser previsível. Não nasci em berço de ouro e tudo o que conquistei após os meus 18 anos de idade foi com esforço próprio. Que se dane a previsibilidade, sou antiquado e este decretado. Continuarei em minha sala gelada pelo meu ar-condicionado, meus papéis reciclados, pois ajudo a natureza (piscada de olho), com minha bela namorada e meus projetos.

-Isso é tudo o que você é e ponto?
-É mais do que eu poderia.
-Então você não “é”, você foi. Agora você é alguém ou algo novo.
-Isso não faz sentido, sou quem sempre fui. Nada mais.
-O sentido não esta no ser esta no sou. Você poderia dizer eu sou...
-Claro!
-Diga!
-Não...
-Pois eu lhe direi quem sou. Sou mais intensa do que você é, e mais ambiciosa do que você foi.
-E essa agora, é filosofa também...
-Talvez, e você poderia ser?
-Não, sou engenheiro Civil.
-Exato

Me and Mr. Johnson




Com o recesso lá do trabalho estava em casa um dia desses ae e comecei a dar uma olhada em meus CDs para ouvir umas musicas.
Há muito tempo não fazia isso, por causa do computador e do mp3, e me surpreendi com alguns discos que não ouvia a muito tempo.
Dentre eles o que mais me chamou atenção foi o de “Sir” Eric Clapton – Me and Mr. Johnson.
É um disco tributo aquele que é um dos maiores, se não o maior, nome do blues da história.
Mais o que me levou a escrever esse post não foi o indiscutível talento de Robert Johnson e sim a sua incrível história de vida:
Johnson era um negro saído do Mississipi, lugar mundialmente conhecido por ser o berço do blues, que revolucionou o jeito como se tocava a guitarra no estilo. Reza à lenda que ao ser indagado, certa vez, como ele tocava tanto e de forma tão inovadora, Johnson não se furtou em dizer que tinha vendido a sua alma ao diabo.
Isso mesmo, ele disse que numa encruzilhada, das rodovias 61 e 49 em Clarksdale, Mississippi, vendeu sua alma para adquirir a sua descomunal destreza na guitarra. Esse fato foi mundialmente divulgado nas letras de suas musicas como a de “Me and the Devil” que tem uma letra bastante “sugestiva”.
Mr. Johnson teve uma carreira fértil e curta. Ele gravou láaaa pela, hoje distante, década de 30 pouco mais de 20 musicas que são cultuadas pelos admiradores do gênero, no qual eu me incluo, e foi morto num atentado cometido por um marido ciumento que envenenou a sua bebida num bar.
A qualidade das gravações, das poucas musicas do mito, são horríveis devido a época em que foi feita e a condição de pagar uma boa de Johnson, ou seja, a melhor maneira de se conhecer a qualidade das composições é por intermédio de outros artistas que gravaram suas musicas como os White Stripes, Roling Stones e Eric Clapton.
Não vou entrar aqui em citações técnicas, que eu como “pseudoguitarrista” adoraria fazer, sobre a forma de tocar de johnson, mais pra quem não conhece e gosta de boas composições, por exemplo, vale a pena ouvir um dos maiores nomes da guitarra..

Aqui vão dois links de videos do Eric Clapton tocando Me and the devil blues e They're red hot de Robert Johnson:

http://www.youtube.com/watch?v=NPhm4yf7Vzc&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=ghsK2eE91eY