Expressão

Luca era um bom descobridor de talentos sempre se autodefiniu assim.
Tinha agenciado alguns bons aspirantes a arte da pintura ao longo dos anos que lhe propiciaram uma vida relativamente estável.

Afinal de contas ele os tinha descoberto

Essa era a grande sacada que ninguém ainda tinha tido: Um agenciador de pintores.
Tinha descendência italiana, ou seja, havia arte nas veias dele.
Era da terra de Portinari e Michelangelo. Podia se gabar disso, mas ultimamente a maré não estava muito boa. Vinha sendo cobrado por algo novo, algo que fosse tão expressivo como o surrealismo e que também fosse tão popular como a pop art.

Seus artistas haviam se tornado óbvios


A crítica especializada e as pessoas que passavam pelas galerias não se surpreendiam mais com os seus recém descobertos e tudo parecia estar caminhando para uma decepcionante aposentadoria.
“Você não pode aceitar que termine assim” era o que ele dizia a si mesmo todos os dias.
Enfim resolveu tentar mais uma vez... Uma última tentativa para o precursor daquele nicho de mercado.
Saiu de são Paulo e viajou para o Rio em busca de algo novo.
Hospedou-se num Hotel e todo dia perambulava pela cidade na busca de algo que chama-se atenção vendo assim algumas coisas interessantes. Artistas de rua, pintores de fundo de quintal (com bons trabalhos) e hippies da Lapa com um considerável senso artístico, mas que não tinham nada de especial. faltava alguma coisa.

Algo que ele não sábia o que era...

No terceiro dia junto aos cariocas foi procurar um ambiente mais jovem e começou a rodar por Universidades e faculdades quando presenciou algo que o intrigou.
A garota sentada numa bancada tinha a primeira forma de arte que realmente o chamou atenção depois de muito tempo. Ela tinha nas unhas pinturas grafadas com esmalte milimetricamente feitas.
Saiu do carro.
Apresentou-se e como sempre causou aquele receio que só é sanado com a mostra do naipe dos artistas que já eram agenciados.

-Bom, eu acho que você esta falando a verdade.
-Claro que sim. Então, o que é isso que você desenhou nas unhas?
-Uma referencia ao clube de futebol para que torço.
-Os detalhes são impressionantes.
-Eu só não entendi como isso pode virar arte. Você é louco?
-Só faça o que eu disser.

Em três meses eles abriram a primeira exposição que foi altamente prestigiada, a partir da primeira semana, devido às críticas extremamente positivas.
Uma conceituada revista publicou um artigo que dizia: “É a definição perfeita de como o eu se expressa a partir de uma vida proletariadamente cotidiana que o sistema capitalista impôs as classes mais baixas de um país”.
Havia achado a sua artista.
Uma garota apaixonante, jovem e bonita que tinha tudo para se dar bem alavancando mais uma vez a sua carreira.
Quem diria que algo tão simples fosse se sobrepor aos renomados artistas que Luca tinha em seu leque de opções.
Pensou consigo mesmo: “... é Luca... às vezes a beleza mais apaixonante pode estar nos gestos mais simples como o cheiro de um cabelo, o sorriso de uma garota ou algumas simples figuras nas unhas”.

The fixer

O Pearl Jam esta com um novo disco intitulado Backspacer. As musicas trazem uma sonoridade próxima e lembram o último álbum lançado pelo quinteto, dos agora senhores de Seattle, mostrando que Eddie Vedder e sua trupe não perderam a mão com o tempo.
Backspacer inicia direto com o rock Gonna see my friend, passa por um tributo ao saudoso guitarrista dos Ramones em Johnny guitar e não se esquece das ótimas baladas, sem melar a cueca, como em Just Breath.
Esse é o primeiro single do álbum Bckspacer chamado The fixer.
O clipe segue a linha dos anteriores do PJ que contam com desenhos ou performances ao vivo, caso do vídeo em questão, e mostra que, apesar dos vinte anos juntos, os caras ainda conseguem se divertir com a musica, o público e com eles mesmos.
Então deixa eu parar de puxar e saco e enrolar... (:p) Boa audição e vida longa ao Pearl Jam!



Pearl Jam - The Fixer (Tradução)

Quando algo estiver escuro, deixe-me derramar um pouco de luz sobre ela.
Quando algo estiver frio, deixe-me colocar um pouco de fogo nele.
Se algo estiver velho, gostaria de colocar um pouco de brilho sobre ela.
Quando algo se for, eu quero lutar para tê-lo novamente.

sim, sim, sim, sim,
lutar para tê-lo novamente..
sim, sim, sim, sim, sim...

Quando algo se quebrar, gostaria de colocar um pouco de fixação nela.
Quando alguma coisa estiver furada, gostaria de colocar algo de excitante nele.
Se algo estiver pra baixo, gostaria de colocá-la um pouco pra cima...
Quando algo se perder, eu quero lutar para obtê-lo novamente.

sim, sim, sim, sim
lutar para obtê-lo novamente,
sim, sim, sim, sim, sim...

Quando os sinais se cruzarem, gostaria de endireitá-la um pouco.
Se não tem amor, eu quero tentar amar de novo...

Eu vou dizer suas orações: eu vou ter o seu lado,
vou encontrar pra gente uma maneira de criar a luz.
Eu vou cavar a sua sepultura, vamos dançar e cantar.
O que foi poupado poderia ser uma vida passada...

hey, hey, hey
sim, sim, sim, sim
lutar para obtê-lo novamente...

sim, sim, sim, sim,
lutar para obtê-lo novamente...

sim, sim, sim,
lutar para obtê-lo novamente...
sim, sim, sim,
sim, sim, sim, sim, sim...

Medição

Numa briga familiar...

-O que você vai fazer?!
-Quebrar essa coisa que não deixa você me escutar.
-Mãe tome muito cuidado com o que você vai fazer agora.
-Isso é uma ameaça?!
-Não, mas oito gigas da minha vida estão nesse mp3.
-A sua vida é medida em "giga" agora.
-Não, mas tudo que eu fiz esta ai e...

Crack plaft poft

-Nãaaaaaaoooooo...

Simples como...

-Ela esta muito bonita hoje não acha?
-Sim
-Impressionante
-Para mim é redundante. Nunca a vi feia
-Uuuuu... Essa foi boa... rs
-Mas confesso que hoje esta especialmente bonita...

Claudio acorda e pega o ônibus para o trabalho.
Definitivamente aquele não parecia ser um grande dia por vários motivos.
Ficou no trabalho só com seu computador até a hora do almoço trabalhando, teve que carregar algumas caixas à tarde e foi chamado para ajudar num concerto elétrico que definitivamente não tinha nada a ver com a sua área de atuação.
Sentado numa bancada ele recostava-se na pilastra do local conversando com um dos eletricistas enquanto o outro tinha subido num telhado perto do seu setor de trabalho.
Contava trivialidades ao rapaz quando ouviu a inconfundível risada da menina que vinha das escadas.
Sentou-se de frente e a viu descer andando.
Armou uma frase engraçada e preparou um afago que não foram deferidos resignando-se assim a observar o novo detalhe na beleza da menina.
Sempre achou incrível o poder que os seres humanos têm em conseguir surpreender o próximo, mas aquilo acabava com qualquer teoria da monotonia no convívio temporal humano.
Parecia que o tempo finalmente tinha encontrado um adversário a altura.
Uma daquelas situações que um grande pintor gostaria de gravar num quadro, para o qual um bom músico gostaria de compor uma canção e uma daquelas em que um poeta adoraria declamar alguns simples versos sobre uma menina que descia as escadas jogando o cabelo para o lado.
Não seriam versos carregados ou com palavras subjetivas.
Eles seriam simples, inconfundíveis e atemporais como parecia ser a beleza da menina que mesmo depois de tanto tempo ainda conseguia deixar Claudio perplexo.

Pensamentos sobre uma goteira












João chegou em casa e percebeu que estava sozinho.
Sentia-se cansado após mais um dia estafante de trabalho então depois de tomar banho colocou uma bermuda e um casaco e sentou-se na varanda.
Pois o prato de comida num banco e ficou observando a forte chuva que caia.
Uma goteira surgiu ao lado da lâmpada que iluminava o local.
No rádio o disco da banda favorita tocava.
Cada gota que caia trazia consigo um dos profundos e frequentes pensamentos de João.
Nunca gostou da chuva.

Ela o fazia pensar demais...

E se aquela teoria de que tudo no mundo esta diretamente relacionado fosse verdadeira. Teoricamente essa goteira em minha casa poderia estar causando, por exemplo, um terremoto devastador na China que esta dizimando, nesse exato momento, algumas centenas de pessoas.

Esta certo que lá é a China e o que não falta é gente, mas...

Malditas gotas. Provavelmente estão se divertindo com a vida alheia.

Mas, e se o perigo for algo mais próximo?

Isso. Talvez elas estejam querendo acabar comigo aqui mesmo. O que tem de casa por ai que começou o processo de ruína com algumas goteiras não esta no gibi.

A defesa civil que o diga...

É. Quem diria que umas simples gotinhas poderiam ser tão maléficas...

Toca a Campainha

-Oi
-Oi
-O que você esta fazendo aqui... Não vê o quanto chove?
-Vejo. O que você estava fazendo?
-Pensando um pouco eu acho...
-Parecia bem concentrado dali de onde eu estava.
-É?
-Como se a solidão tivesse lhe caído bem.
-Que profundo...

(risos)

-Quer companhia?
-Desculpa, mas não estou muito a fim de conversar.
-Ok...
-...
-Te vejo amanhã?
-Claro. Beijo.

Zack Deat - O mendigo







Era segunda de manhã e Zack Deat tinha acabado de levantar para ir até o trabalho.
Tomou banho, escovou os dentes e colocou o terno.
Dez segundos depois lembrou que ainda não tinha tomado o café da manhã e tirou o paletó para não manchá-lo com algum resquício de café ou um pedaço de manteiga desavisado.
Sentou-se à mesa pediu para que a esposa apresasse os filhos, que estavam atrasados para a volta as aulas.
Deixou-os na escola, a mulher na academia e partiu para a empresa.
Zack Deat gostava de dirigir ouvindo musica e durante o caminho pegou o primeiro disco que estava no porta cd e pressionou o play no rádio. O Unplugged de Eric Clapton iniciou, depois de uma primeira faixa instrumental, um blues com uma bela introdução que começava com Sir Clapton cantando:

“Before you accuse me, take a look at yourself
Before you accuse me, take a look at yourself...”

Ele foi cantando as musicas até chegar no estacionamento perto do trabalho. Saiu do carro, deu bom dia para o guardador e foi comprar mais um café antes de entrar no prédio e iniciar os trabalhos.

-Bom dia.
-Bom dia senhor Deat. O de sempre?
-Sim, por favor.

A mulher fez o tradicional café pingado com cafeína extra que Deat sempre pedia

Depois de pegar o copo Deat começou a caminhada de três minutos até o trabalho quando foi abordado por um senhor maltrapilho que por ali passava.
Olhou o velho, que tinha vestimentas que exalavam um terrível fedor e quase deixou o copo com café cair ao vê-lo mostrar os dentes amarelos como sinal de simpatia.

-Posso ajudar?
-O senhor não poderia pagar um café para um velho que viveu invernos demais?
-Infelizmente estou com um pouco de pressa para chegar no trabalho...
-Ora essa. É só um café.
-Ok Tome o meu.
-Muito obrigado senhor...
-Deat.
-Obrigado senhor Deat.

Zack Deat chegou no prédio e logo que entrou na sua sala e sentou em sua poltrona reclinável teve certeza que tinha achado a próximo alvo da sua “bricadeirinha”.
Durante dois dias passou pelo mesmo lugar e deu o seu café para o senhor que continuava pedindo o seu pingado.
No terceiro resolveu que faria a traquinagem logo após o trabalho só que dessa vez o velho de dentes amarelos iria ter uma surpresa.
Passou, como já tinha virado tradição, o dia ansioso quando finalmente resolveu ir embora mesmo sem ter terminado todas as tarefas do dia. Apressou o passo e ouviu o seu nome sendo chamado algumas vezes antes de entrar no elevador.

-Senhor Deat o relatório...
-Senhor Deat a empresa do EUA ligou e...
-Senhor Deat...
-Senhor Deat...
-Senhor Deat...

Olhou para o relógio no pulso:19:00.
Quando chegou no local viu o velho deitado num canto da rua acompanhado pelo seu fedor e por um cachorro que só tinha pele e osso.
Cutucou-o com o pé e o velho levantou a cabeça soltando mais uma vez o horrendo sorriso podre.

-Senhor Deat?
-Sim. Como vai?
-Não tão bem quanto senhor, mas vou indo.
-Trouxe algo para você.
-Um presente?
-Sim. E depois ainda vai ter uma brincadeirinha... Quer dizer, uma surpresinha.

Deat puxou uma garrafa de Whisky Johnny Walker, que custou 300 reais, e entregou para o velho que logo começou a beber o liquido no gargalo da garrafa.
Deat já ia atravessando a rua quando o velho gritou:

-Hey. E a surpresa?
-Virá depois. Por enquanto vou deixá-lo com o meu amigo Johnny.

O velho levantou a garrafa como se brindasse e o deixou ir

Deat atravessou a rua e ficou encostado na pilastra esquerda do estacionamento mesmo depois de ter pegado a chave do carro.

Ele sabia que logo... Logo... A brincadeira ia começar

Após cinco minutos começou a ver alguém se aproximando do velho e logo os gritos de horror do outro lado da rua começaram. Uma senhora desesperada gritava como louca, um rapaz tentava chegar perto do velho para ajudar, mas a sua repulsa era evidente.
Aos poucos as pessoas iam se chocando cada vez mais.
Deat finalmente atravessou de novo e viu como estava o velho.
Suas roupas estavam cobertas de sangue que era jogado, através de jatos, a cada golfada do liquido vermelho que saia de sua boca. A senhora gritou mais uma vez “Alguém ajude ele!” enquanto o velho saiu andando na direção de Deat, mas antes de chegar caiu.
Tentou levantar a voz e culpar o seu algoz, mas sua boca ensangüentada não teve força suficiente.
Numa última, e vã tentativa, saiu correndo, porém errou a direção em que Deat estava e foi direto para a rua onde um caminhão que passava na hora espalhou os pedaços do velho para a plateia que horrorizada assistiu a tudo.

Mais tarde em casa...

-E como foi o trabalho hoje querido?
-Como sempre... Nada de novo. Só mais um dia.
-São pessoas empreendedoras como você que movem esse pais Zack. Por isso tenho orgulho de você.
-Obrigado amor.


Obs: A foto desce post foi retirada do site www.desciclopedia.org



Audioslave - I am the highway (live)

Ídolo

Certa vez alguém me disse que todos, em algum momento da vida, tem um professor que ajuda a conseguir um motivo para continuar estudando.
Hoje eu achei o meu.
Sabe aquele tipo de pessoa que você imagina que deve ter tudo o que almejou...
Ele é o tipo de cara que teve CR (Coeficiente de Rendimento) 9,8 na faculdade, é um tipo de cara que fez mestrado, doutorado, pós doutorado e sabe-se lá mais o que pelo simples fato de gostar... Por favor, o cara deu aula na faculdade de cinema de Havana e se sentou na mesma mesa que Fidel Castro!

Foi ele quem deu a única matéria que reprovei na faculdade, mas não ligo...


Sei que não é um grande titulo, mas sou um cara que pode contar os seus ídolos nos dedos e hoje o meu ex-professor passou a ser um deles.
Se algum dia eu for um profissional descente tenho certeza que vou lembrar dele...

"Evolução"

Na bienal do livro carioca com a vendedora...

-Nossa esse ano tem até estande do Submarino aqui?
-Sim. Também somos um dos patrocinadores oficiais do evento.
-Legal. E os livros estão baratos?
-Sim e também temos alguns dvd's e cd's importados.
-Mas... Essa não é a bienal do livro?
-Pois é...

Aff. E o capital colocou cd's e dvd's na "Bienal do Livro". Nada poderia ser mais sugestivo no ano em que a Bienal homenageia os EUA.

Contradições














-Não entendi?
-Ah... Como eu vou explicar isso a você...

O pai não sabia como explicar ao filho algo tão subjetivo. O que seria mais contraditório do que a vida na cidade que impõe leis para manter a liberdade?
Tentou pensar nas possíveis respostas.
Ele poderia culpar a boa e velha ganância humana, que ao longo dos anos foi jogada na cara de cada ser humano como errada, suja e desleal, poderia dizer que a culpa é dos nossos políticos, que nunca vão nos dar uma educação descente por que ela geraria consciência social e a consequente saída dos próprios do governo, acabando com anos de corrupção, ou... Simplesmente mais uma vez dizer as palavras mágicas: É... O Capitalismo é uma m...
Achou que por a culpa no capitalismo era a melhor opção.

Tudo é culpa do consumo!

Mas... E se sentenciar o sistema vigente gerasse mais perguntas?
O garoto é inteligente. Vai que ele desembesta a chamar o Papai Noel de capitalista safado e começa a compará-lo com o Bush até chegar ao ápice de plagiar o Capitão Nascimento mandando ele tirar aquela roupa vermelha (Comunismo) por que ele é moleque.

Vai arriscar?


Isso é algo que não vou pagar pra ver...

-Então pai.
-Então o que?
-Me responda.
-Ahh vai perguntar pra sua mãe que ela sabe.
-Não sabe não.
-Vamos comprar um chocolate na esquina?!
-Vamos!

E eu ainda tenho coragem de criticar o consumo... Sempre me salvando de boas...

Novas pessoas

Na praça com uma amiga...

-Sinceramente acho que esta na hora de você mudar.
-Como assim?
-Sei lá. Você só vive falando dessa garota.
-E?
-Que tal um ciclo novo de amizades além das pessoas de sempre?
-Mas eu conheço pessoas novas sempre.
-Onde?
-Bom, ontem eu adicionei mais três no facebook.

Desfile














Ontem tive que ir num desses desfiles cívicos aqui na minha cidade.
Como único membro integrante da família disposto a ver minha prima desfilando fui ao tal desfile marcar uma presença.

Acordei às 8 horas no sábado. É bom que isso fique registrado...

Confesso que me surpreendi com o número de pessoas que havia no local.
Assim sendo, dirigi-me rapidamente para a concentração, a fim de falar com ela, antes de conseguir um local na arquibancada montada na calçada.

-Oi
-Você veio mesmo!
-Claro.
-Legal.
-Não sabia que tocava na banda?
-Sim. Toco prato.

Um estrondo maior do que ela esperava saiu dos dois pratos quando, sem eu pedir, ela fez uma demonstração do poder de seu instrumento arrancando um olhar furioso do maestro da banda.

-Vou lá pra arquibancada pegar um lugar.
-Ta. Até mais.
-Bom desfile!
-Tchau!

Confesso que pensei numa outra menina, que também tocou prato no colégio, na hora

Quando fui procurar um lugar descobri que a arquibancada já estava abarrotada de pessoas só sobrando um espaço mínimo, que não sei como consegui achar, entre um senhor, consideravelmente fora do peso, e uma família, de uns dez integrantes, num bom ponto para ver o desfile.

30 minutos depois...


Eu não aguentava mais o locutor, aos berros, anunciando cada colégio, com sua respectiva banda, como se fosse o auge do desfile. Estava começando a pensar, seriamente, em esperá-la no final do trajeto só para cumprimentar e ir embora quando a voz anunciou a escola que eu esperava.
Garotas fazendo passos de ballet vieram abrindo.

Pensei, mais uma vez, na menina que tocava prato e também queria aprender ballet...

Quando a banda passou, eu finalmente a vi tocando prato num ritmo que me surpreendeu de tão compassado. Sinceramente não achei que ela fosse das mais ritmadas, mas me surpreendi.
O senhor gordo ao meu lado me parabenizou quando percebeu a minha avidez em vê-la.

-Ela é boa.
-Obrigado. É minha prima.

Cheguei a pensar em parabenizá-lo pelo filho dele que tocou bumbo na banda anterior, mas decidi não ser tão falso. A banda tinha sido, definitivamente, a pior do desfile.

O locutor até avisou antes que a banda tinha o sugestivo nome de "Banda Fanfarra"...

Quando tudo acabou fui falar com minha prima e depois parti direto para a auto-escola.
No final das contas o desfile não foi dos piores...


Obs: Na foto estão eu, meu primo e minha prima antes do jogo do fogão alguns dias atrás.

Analisando

Antes do show...
-Olá
-Olá
-Você esta sozinho?
-Não. Uma amiga foi ali e já volta.
-Ahh ta.
-Por que?
-Por nada.
-Desculpa, mas eu conheço você?
-Não.

2 minutos depois...

-Com licença, mas qual o motivo do seu questionamento?
-Sou Antropóloga e gosto de tentar acertar o motivo pelo qual os bêbados bebem então tentei especular.
-E...?
-E errei. Afinal de contas você esta acompanhado. Terei que jogar meu diploma fora. rs
-Rs... Na verdade você acertou em cheio...
-Ein?
-Deixa pra lá... Bom show...