Comum... Não Obrigado

Enquanto isso numa loja de roupas...

-Oi. Quanto custa essa camisa?
-60 reais.
-Uhn.
-Leva essa outra aqui. Tem saído muito...
-Tem?
-Sim.
-Então eu vou levar essa que eu escolhi mesmo. Obrigado.

Silversun






O Silversun não estava tão divertido naquele dia... Quer dizer, não para mim. O bar estava lotado como sempre, mas a banda, que tocava alucinadamente no palco, parecia meio chata e até os bêbados já estavam naquele estado de começo de depressão.
Olho para o celular e não vejo nenhuma luz piscando.

Bom, não posso mais esperar ligações de madrugada...

-O que você tem? Parece meio triste...
-Não, que isso. Estou muito feliz por estar aqui com você.
-Sei lá. É que você esta meio... Frio...
-Nada. Uma leve crise existencial... Vou beber pra melhorar... Desce uma! Rs
-Ah ta... Rs

Essa ai nem deve saber o que é uma crise existencial

Vou ao banheiro e antes de entrar dou uma olhada para a fila da entrada feminina.

Gigante como sempre

Para no mictório e fico brincando de acertar a pedra de gelo enquanto os outros biombos ao meu lado vão sendo ocupados pelos mais diversos tipos de caras.

No último tinha um com o maior moicano que eu já tinha visto

O Silversun tinha o lavatório mais estranho do mundo... Balões com formato de ovelhas ficavam pendurados no teto. Quando os ventiladores do local sopravam, as ovelhas se batiam umas nas outras.

Malditas ovelhas... Nunca gostei delas...

-Então a fila do banheiro feminino estava grande?
-Como sempre...
-Pelo menos nisso os homens tem sorte. É só abrir a calça e urinar. Rs
-Sem duvida. RS. Vamos sair daqui?
-Pra onde?!
-Não sei.
-Você tem carro por acaso? Estamos a pé, e essa hora pra ônibus no Rio...
-Confia em mim?

Ela não respondeu, mas eu sabia que não... E isso, na verdade, não importava...

Quem eu quero que confie em mim confia... Mas... E ai... Ponto.

Puxei-a pelo braço e fomos andando até a calçada.
Fiz sinal para o primeiro taxi e ele não parou. Ela me deu um beijo no rosto foi, quase, para o meio da rua e parou um só em olhar para o motorista que perguntou quando nos sentamos:

-Pra onde rapaz?
-Vamos para a praia.
-Ok.

Ela me olhou já se preparando pra perguntar o que íamos fazer na praia de madrugada com algumas cervejas na mão, mas eu não dei oportunidade beijando-a primeiro.
Quando chegamos paguei o motorista e fomos andando na direção da escuridão onde estava a areia.
Sentamos e fiquei olhando para o céu estrelado com a minha cerveja de um lado e ela do outro me abraçando enquanto conversávamos sobre as maiores besteiras...

-E então?
-E então o que?
-Nós viemos aqui conversar?
-Por que... O que você esperava?
-Algo mais intenso.
-Algo mais intenso do que eu sinto no momento é difícil...
-Não entendi...
-Exato... Acho que eu entendi... E entender é uma m...

Umas duas horas depois ela fez de novo o seu truque da madrugada e pegamos mais um táxi que nos levou para casa.
No dia seguinte, antes de pegar o avião e viajar de volta, ela me ligou, uma última vez, para desejar boa sorte e dizer até a próxima.

Essa foi boa idiota...

Zack Deat - As férias













Post anterior: http://matutandorj.blogspot.com/2009/06/o-garoto-da-plataforma.html

Zack Deat sempre se programou para que em todo mês de julho pudesse tirar férias junto com a sua mulher e os seus filhos. Como pequeno empresário, e dono de seu próprio negócio, podia se presentear com alguns pequenos luxos como esse.
Naquele meio de ano Deat planejou, além de uma “bricadeirinha rural” como já vinha se tornando praxe na sua vida, umas férias no campo com a família.
É claro que a “brincadeira” da vez figurava apenas nos seus pensamentos mais profundos, mas já fazia algum tempo, desde o incidente no metrô, que ele queria variar um pouco o ambiente das traquinagens. E que melhor momento... Qual poderia ser melhor?
A viagem de carro foi divertida e Zack Deat dirigiu conversando com a sua esposa por todo o caminho enquanto os seus dois filhos brincavam no banco de trás.
Quando chegaram puderam ver que a casa de campo era realmente bonita e imponente. Com quatro quartos, cozinha, dois banheiros e uma sala bem espaçosa, a casa tinha os seus cômodos distribuídos em dois andares.
O dono, que estava alugando o local, entregou as chaves, logo que a família chegou, dizendo que era o melhor casarão da região para Deat que respondeu com um aceno de cabeça.
Os dias que se seguiram foram tranqüilos. As crianças brincavam muito com os filhos dos vizinhos e a esposa de Deat estava se sentindo muito bem. Como numa segunda lua de mel com o marido que correspondia sempre com muito amor.
Lá pelo meio do mês, numa de suas voltas matutinas, Zack Deat corria pela estrada de terra, que corta as plantações, quando viu o alvo em potencial que procurava desde a sua chegada.
A menina ruiva de cabelos lisos que colhia milho na plantação era frágil e bonita o suficiente para ser muito amada... O que traria um gosto especial para ele... É claro.
Percebeu então que sempre que passou por ali viu ela no mesmo milharal, no mesmo horário e com a mesma vontade para verificar os frutos da plantação. Deat prometeu a si mesmo que o dia seguinte seria o dia da “brincadeira”.
E como ia ser divertido...
Na mesma noite fiou pensando com os seus botões em qual seria traquinagem mais divertida. Deliciava-se, sentado a mesa cortando tomates para sua esposa, perdido em seus pensamentos. Cada corte feito no tomate, com precisão pela faca, gerava um riso que mostrava um misto de ansiedade e felicidade.
Foi quando a esposa perguntou:

-O que foi querido? O que é tão divertido...
-Esse tomate vermelho. Não é engraçado poder cortar algo tão frágil?
-Se você acha... RS
-É sim. Cortar é... Divertido.
-Então se divirta brincando um pouco mais pra eu fazer o molho pro macarrão.
-Pode deixar. Vai ser uma ótima brincadeira...
-Rs RS... Só você mesmo Zack.

Na manhã seguinte Deat pegou a sua faca, colocou no bolso, deu um até logo para a sua esposa e foi correr.
Como vinha mantendo esse hábito desde o início das férias a sua magreza começava a parecer mais um sinal de saúde do que de debilidade, como sempre foi.
Ao chegar no milharal se surpreendeu com a não presença da menina ruiva e decidiu esperar.
Esperou cinco, dez, vinte minutos... Quando já estava pensado em desistir... Ouviu o barulho de algo mexendo.
Sentia a excitação de um adolescente que esta a ponto de tirar a virgindade da santinha do colégio.
Viu o milharal se abrindo e os cabelos vermelhos aparecendo enquanto os olhos da menina tentavam, inutilmente, fazer a checagem de cada espiga.
Começou a se arrastar como uma cobra (uma cobra venenosa) e se aproximou cuidadosamente, enquanto a garota examinava com mais cuidado uma espiga estragada, até estar a menos de dois metros da concretização da brincadeira.
Deat ficou lentamente de joelhos... Tirou a faca do bolso... Olhou-a e pôs toda a sua força para fazer um corte em cada calcanhar.

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

A garota cai soltando um grito e começa a se arrastar sem olhar para trás. Deat se joga em cima dela e lacra a sua boca com a própria mão.
Se deita sobre o corpo de sua vítima e diz no seu ouvido: “A brincadeira é de pergunta e resposta... Se você acertar ganha uma faca e se errar perde a vida...”

Por favor... Não... O que eu fiz!!!!!!

Vamos, seja uma boa jogadora. Eis à questão. Valendo uma vida: Quantos milhos existem nessa plantação?

TIC TAC TIC TAC TIC TAC TIC TAC

Ela grita:
-Por quê…!?!?!? O que eu fiz…!?!?!?
-Não estrague a brincadeira... Só responda!
-Eu não sei!
-Resposta errada!

À noite em casa:

-E então querido, quer cortar mais uns tomates para o jantar.
-Será um prazer amor.
-Só não estou achando a faca. Sabe onde esta?
-Também estou procurando desde manhã.
-Que mistério... RS
-É verdade... Esqueça isso. Vamos comer uns milhos na feira. É mais saudável.
-OK
-Dizem que o segredo das plantações daqui é o adubo. Os melhores milhos de toda a região... Os melhores...

Oren Lavie - Her morning elegance



Oren Lavie - Her morning elegance

Sun been down for days
A pretty flower in a vase
A slipper by the fireplace
A cello lying in its case

Soon she's down the stairs
Her morning elegance she wears
The sound of water makes her dream
Awoken by a cloud of steam
She pours a daydream in a cup
A spoon of sugar sweetens up

And She fights for her life
As she puts on her coat
And she fights for her life on the train
She looks at the rain
As it pours
And she fights for her life
As she goes in a store
With a thought she has caught
By a thread
She pays for the bread
And She goes...
Nobody knows

Sun been down for days
A winter melody she plays
The thunder makes her contemplate
She hears a noise behind the gate
Perhaps a letter with a dove
Perhaps a stranger she could love

And She fights for her life
As she puts on her coat
And she fights for her life on the train
She looks at the rain
As it pours
And she fights for her life
As she goes in a store
With a thought she has caught
By a thread
She pays for the bread
And She goes...
Nobody knows

And She fights for her life
As she puts on her coat
And she fights for her life on the train
She looks at the rain
As it pours
And she fights for her life
Where people are pleasently strange
And counting the change
And She goes...
Nobody knows

Fato vs fato = fato








São em dias como esses que você dúvida da existência de algo maior.
Seria plausível que alguém, detentor do poder de governo sobre tudo e todos, deixasse que tal massacre psicológico aconteça.
Uma interferência num ponto inicial não seria adequada?
Sabendo o que iria acontecer anos mais tarde... Sei lá... Algo deveria ter sido feito.

O que não mata fortalece... Não é o que dizem?

Às vezes, eu acho que consigo entender um pouco os (bizarros) psicólogos e suas tentativas de explicar qualquer sentimento humano.

Tem que existir uma explicação!

Mas... E se não houver, como eu acredito que seja, o que poderia acontecer? Devem existir fatos na sua vida que são incontroláveis e por mais que você queira fugir, eles não podem ser evitados.
Comecei o Matutando sem muita pretensão e hoje ele é um reflexo metafórico das histórias que existem na minha vida.

Sempre impar e nunca par

O subjetivo nunca havia perdido para o fato por um placar tão largo quanto agora. Um fato concreto e que não é controlável, variável ou mesmo mutável.

E contra fatos não há argumentos

Você precisa tomar poucas e difíceis decisões para mudar a sua própria vida e apenas uma para mudar a de outra pessoa.

Mas isso não lhe diz mais respeito... Na verdade nunca disse...


Bom, quem tem que olhar para céu e pensar agora sou eu... Talvez alguém me dê uma saída. Talvez alguém...

Nem sabe se quer que essa faculdade termine logo ou dure para sempre...

Luau





Jordan gostou de muitas poucas coisas durante a sua intensa vida.
Aos dois anos ficou órfão, aos cinco foi para um orfanato, aos dez conheceu um garoto, com quem começou a dividir um beliche, que lhe ensinou a surfar e aos dezoito ganhou um campeonato na praia de Copacabana, que lhe deu notoriedade no surf, quando estava prestes a perder a sua moradia por chegar à maioridade.
Começou a ser patrocinado e a ganhar alguns pequenos campeonatos até reunir dinheiro suficiente para fazer uma viagem pelo mundo, atrás das suas tão sonhadas ondas perfeitas.
Tudo aconteceu inesperadamente na sua juventude e ele não escondia as marcas psicológicas que tais fatos haviam deixado em sua personalidade.
Confiava em pouquíssimas pessoas. Um grupo seletíssimo do qual o seu parceiro Léo, o garoto que lhe ensinou a surfar no orfanato, fazia parte.
Léo dirigia o Jet-Ski que puxava Jordan pelo mar, até atingir velocidade suficiente, para alcançar as ondas, de vinte metros ou mais, pelos quatro cantos do mundo.
Austrália, Hawai, África do Sul e Tahiti eram países por onde os dois garotos haviam passado recentemente e ganhado torneios de ondas gigantes.

-Hoje foi um bom dia ein Jordan.
-Foi sim. As ondas estavam ótimas.
-Amanhã voltamos para descansar um pouco e depois continuar as viagens.
-Voltamos pra onde?
-Pro Brasil oras.
-Temos mesmo?
-Sim. E não vamos discutir isso de novo.

No dia seguinte os dois pegaram o avião e depois de uma viagem de sete horas chegaram ao Aeroporto Internacional do Galeão no Rio de Janeiro.
Léo desceu do avião junto com Jordan.
Ambos estavam esperando, além de uma calorosa recepção da imprensa brasileira, um encontro com os amigos que não viam há mais de um ano.
Repórteres cercaram Jordan logo na saída, mas Léo não deixou fazerem muitas perguntas com o argumento de que o surfista estaria cansado e daria uma coletiva no dia seguinte.
A dupla foi direto para o hotel se arrumar para o luau de boas vindas à noite organizado pelos amigos...

No luau...


Os campeões são recebidos calorosamente pelos que já estavam na festa e se sentam numa mesa perto da fogueira e da banda que já tocava.
Léo pega uma cerveja e começa a conversar com velhos amigos que estavam por lá.
Jordan olha para a areia onde muitos estavam dançando e passa para a escada de madeira do quiosque quando de repente seu olhar e corpo ficam imóveis.
Ela era a garota mais linda que ele já havia visto na vida.
Segurava uma cuba libre e posicionava-se com os cotovelos apoiados no degrau mais alto jogando a sua cabeça para trás. Os cachos do cabelo cheio se rendiam a gravidade enquanto alguns ainda ficavam presos ao seu rosto... Pensativo... A olhar o céu.
Jordan pensou em ir lá e falar com ela, mas não atrapalharia tal momento. Ela parecia estar tão compenetrada no que estava pensando que provavelmente ia achar uma solução para o que a afligia.
O mesmo Jah que havia lhe dado tantas ondas perfeitas durante o seu último ano não ia deixa-lá na mão, não ela... Não a garota mais bonita que já segurou uma cuba libre.

Oren Lavie - Her morning elegance (Tradução)

"... Logo desce as escadas
Sua elegância matutina. Ela usa
O som da água faz seu sonho
Despertado por uma nuvem de vapor
Ela derrama um sonho em um copo
Uma colher de açúcar adoça-o ..."

23 em 1

Hoje quando cheguei da auto-escola meu pai estava em casa.
Não sei por que, mas, às vezes (e eu quero dizer às vezes mesmo), ele vem aqui em casa e fica uns 20 minutos até ir embora. Acho que é o que ele considera uma “visita ao filho”.

-I ae garoto como vai?
-Tudo bem, e o senhor?
-Tranquilidade. Onde você estava?
-Na auto-escola.
-Vai tirar carteira?
-Pretendo. Estou na auto-escola desde o início do ano.
-Uhn, e o que você sabe de direção?
-Nada
-Nada?
-Nada.
-Vou te ensinar agora no meu carro.
-Ein?

Pensei em dizer que eu na verdade estava fazendo para habilitação tipo A, ou seja, para motocicleta, mas quis ver até onde ele ia com aquilo e por que.
Entramos no carro e ele me levou até uma rua deserta, perto daqui de casa, onde os carros da auto-escola costumam treinar. Parou e começou a me ensinar.

Ele foi bem

Eu realmente consegui aprender a fazer um carro andar e até me arrisquei a dirigi-lo por alguns metros além de (pasmem!) dar uma pequena acelerada que fez o gol chegar a uns 20 km.

Yeah!

Depois meu pai assumiu de novo a direção e começou a puxar aqueles assuntos de mulheres e faculdade de novo...

Aff

-Não vai me dizer como andam as coisas?
-Não força a barra também ta?
-Só estou tentando conversar.
-Uhun
-Estou tentando. Não acabei de te ensinar o básico da direção.
-Que bom que só tive de esperar 23 anos para uma aula.
-Isso foi duro garoto.
-Concordo. Visitas esporádicas de dez minutos também são, mas já ma acostumei.

Fomos para casa num silêncio maior do que eu esperava e ao chegar ele disse:

-Que tal mais uma aula domingo.
-Tem certeza?
-Sim.
-Seria ótimo. Estou louco para aprender a dirigir bem.
-Então esta marcado. Até.
-Até.

Anima Mundi

Essa é a sessão do Anima Mundi "Portfólio 2" que foi exibida no dia 18/07/2009.

Você pode encontrar todas as informções referentes a cada comercial aqui.

Eu estava sentado atrás da menina que gravou esse vídeo então se você achar que assistir por aqui é divertido com certeza você não viu a sessão na integra e ao vivo.

Vale muito passar por lá e conferir.

Hoje é o último dia no Rio, já em São Paulo o festival acontece entre os dias 22 e 26 de julho.

Divirta-se!

Eu preferia o Pearl Jam

















Quando se é mais jovem é normal querer ser diferente para contrariar a sociedade e essas coisas que os adolescentes falam.
Eu tentava ser roqueiro lá pelos meus 13/15 anos...
Ai você diz: É meio complicado andar num determinado grupo social, pois obriga você a ter gostos que, às vezes, podem não ser os que você queria exatamente e tal...

Na verdade quem esta dizendo é você...

Eu ignorava tudo isso.
Andava com roqueiros que gostavam das vertentes pesadas do rock e era um fanático por Pearl Jam.
Isso mesmo...
O PJ gravou o primeiro cd (Ten) com musicas como Alive, Even Flow, Jeremy e a famigerada Black que por ser tão executada, até em rádios fanfarronas, ganhou o ódio de muitos.

-Ae Raphael a Black esta em décimo lugar no top 10 da FM O Dia
-Que m...
-O Iron nunca tocou nem uma vez lá...
-Iron é metal.
-Bom, o Alice in chains também nunca tocou.
-É verdade, mas o PJ ainda é f...
-Outra verdade: É f... e esta sujando o nome do rock.
-Aff

Não sei por que, mas mesmo quando Kurt Cobain morreu, e estava começando a ser “canonizado” pelos grunges, eu continuava gostando menos dos seus gritos e guitarras quebradas e mais dos solos de Mike MCcready e da voz e letras de Eddie Vedder.

O cara que escreveu a letra de Black provavelmente podia ter qualquer mulher

O Pearl Jam gravou a trilha sonora da minha adolescência e Eddie Vedder escreveu boa parte das letras. Se o Led Zeppelin me fez querer aprender a tocar guitarra o PJ me fez querer entrar numa banda e ser um guitarrista mais “musical”.

Afinal a primeira musica que você aprendeu foi Last Kiss e ela só tem quatro acordes

Lembro que alguns anos mais tarde, ao ler o livro Nirvana Nunca Mais, descobri que Eddie Vedder se casou em 1994 com uma namorada que ele tinha desde 1984, ou seja, o cara simplesmente cagou pra todas as centenas de mulheres com que ele podia ter ficado durante 16 anos, que foi o tempo em que o seu casamento durou.
O autor do livro ainda dizia que não contente em ser casado Vedder conseguia ser fiel.

RS RS RS E você acreditou?!


Nas festas cheias de mulheres que fariam qualquer coisa para ficar com Vedder ele não ligava pra nenhuma enquanto o resto da banda “passava o rodo”. O cara era louco.

Olha quem fala... Como se você também não fosse fazer o mesmo...

Até hoje me empolgo com as musicas antigas dos caras e os discos novos que lançam, sem falar do show, no Rio de Janeiro - Apoteose, que foi de longe o melhor que já fui na minha vida.
Longa vida ao Pearl Jam!

Hey oh Rio! Yeah!


Pearl Jam - Alone

Mmm, Wide awake and he shakes in a panic. Never woke up alone Ever before.
Had a woman long as he can remember. His to forget
But he can't, he can't.
Out of bed and he dreams in the shower. She's standing naked, He's apologizing.
Reaches for her and the water turns red. Got woken up to be Burned, burned again.

Go it alone. You got it, so it goes.
Got his knees to his face, she can't take it any other way.

On the street he's walking wounded. Doesn't smile for the child at play.
Thoughts of suicide and alleviation. Anything to get his heart off of Nicole.

Go it alone. You got it so it goes.
Got his knees to his face...he can't take it for another day. Yeah, yeah.

Wide awake and he shakes in a panic. Never woke up alone
Ever before.
Had his woman long as he can remember.
Tries to forget, but he can't... he can't....

A francesa





Toda vez que eu saia de casa para ir a Faculdade via Dona Ester, a senhora da casa da esquina, parada no portão com sua cadeira de balanço olhando para o nada.
Certa vez minha avó me disse que Dona Ester era francesa e tinha tido uma relativa fama na sua terra como cantora no auge de sua juventude.

Deve ter sido uma daquelas cantoras de um único hit

Dona Ester era uma senhora de poucas, porém fortes, palavras. Era a personificação daquele arquétipo do velho sábio a quem todos respeitam e escutam as palavras de experiência e sabedoria.
Um dia parei perto de Dona Ester para dar uma olhada na rua seguinte e ver se a padaria estava aberta quando a peguei cantando bem baixinho os seguintes versos:

“... E só de te ver
eu penso em trocar
a minha TV num jeito de te levar
a qualquer lugar...”

Não resisti e disse:

-Ei Dona Ester essa musica é dos Los Hermanos.
-É... É um bom cantor...
-Na verdade é uma banda e eles...
-É uma boa letra.

Depois disso ela começou a dizer palavras incompreensíveis para mim.

Só mais tarde reconheci como francês devido ao forte sotaque e aquele biquinho inconfundível que só os franceses sabem fazer.

Quando ela acabou de falar eu assenti positivamente com a cabeça e já ia me virando para voltar para casa quando ela falou mais uma frase incompreensível.

-Desculpe Dona Ester não ouvi.

Então ela disse agora em português:

-Essa é uma boa musica. Se um dia você gostar de uma garota de verdade aprenda a letra e toque-a num instrumento para ela.
-Pode deixar.
-Você sabe tocar algum instrumento musical.
-Um pouco de violão.
-uhn...

E Dona Ester voltou para a sua vida na cadeira de balanço olhando o tempo passar. Aquela foi à única vez em que trocamos mais do que comprimentos de bom dia, boa tarde e boa noite.

A curva













-Você não pode me culpar por isso!
-Nunca culpei você de nada!
-Não precisa dizer, eu sinto...
-Grande... Agora és sensitiva.
-Você esta ouvindo o jeito que esta falando comigo?!

Jornalista e grande cinegrafista Téo sempre ouvia as reclamações de sua esposa que nunca aceitou as constantes saídas, em reuniões familiares e nos jogos de futebol do filho, para gravar alguma matéria na rua.
Sempre que o celular tocava num fim de semana, e o nome do Editor aparecia na tela, um prenuncio de discussão pairava no ar quando Aline, sua esposa, o olhava.
“Você vive nessa ponte aérea louca Téo” e “Eu não sei até quando vou aturar isso” eram frases proferidas frequentemente e incisivamente nas discussões.

-Eu sei que o trabalho é sua vida.
-Não. Minha vida são vocês, mas também amo meu trabalho e precisamos dele.
-Então por que você tem aquela pasta no seu Laptop com umas 10 fotos da sua garota da faculdade!?
-Por favor, Aline... Esqueça isso... Eu tenho que ir gravar...
-Eu não sou a garota que você amou e nunca vou ser!
-Nunca pedi que fosse!
-Então o que há? Me diga?!
-Não há nada, e é você que sempre puxa esse assunto...
-Ah ta... Desculpe por ser sua esposa então!
-Tchau

Naquele dia Téo entrou na garagem, pegou sua moto, colocou o capacete e foi dar uma volta antes de ir para o trabalho.
Entrou numa famosa avenida de São Paulo e acelerou.
Ele acelerou mais rápido do que jamais tinha acelerado... Ouviu certa vez que a 250 km era impossível fazer aquela curva... Resolveu tentar:

100 km


Hoje meu filho fez um belo gol... Ele realmente é bom, talvez um dia seja jogador de futebol... Talvez um dia...

150 km


Será que a Aline realmente estava certa? Por que você ainda tem aquelas fotos no seu Laptop Téo?!

200 km

Onde será que ela esta hoje e o que estará fazendo... Acho que nunca vou saber...

250 km

Vamos ver se é verdade...

Depois de um minuto sem pensar em mais nada Téo parou no acostamento... Olhou para trás... Viu a curva onde tinha passado mais rápido do que qualquer outro ser humano.
Sentou no asfalto colocou o capacete entre as pernas e pensou naqueles segundos na curva e no minuto que precedeu o feito...

Há quanto tempo a sua mente não ficava totalmente limpa ein Téo?


Ele ainda olhava para as estrelas no céu escuro quando o seu celular tocou e seu editor o avisou mais uma vez do horário e do local onde ele iria gravar.
Téo concordou.
Subiu na moto e a ligou.
Colocou seu capacete abriu a viseira e assentiu para a curva antes de acelerar para o trabalho sob a aprovação da estrada.

" ... O céu azul quando a noite for embora
E a gente vai queimar os pés no asfalto
Enquanto o céu azul
Nos tornar mais velhos outro dia mais
E assim eu vou, assim a gente vai
Até o final, até a parede mais próxima
Pra nos fudermos ou derrubá-la!"


Zander - Outro dia mais

Maio




É impressionante como o que é importante pra você pode não significar nada para outra pessoa.
O que poderia ser o fato mais relevante na sua vida em anos é jogado numa frase, sem mais nem menos, e sumariamente ignorado ao se mudar totalmente de assunto na frase seguinte. Talvez você nunca soubesse se não tivesse dado... (sorte ou azar, não sei)

Espera aí, o que você quer dizer?!

Qual o mês mais importante do seu ano?
Essa pergunta poderia ser respondida e justificada das mais variadas formas, porém tenho convicção que uma boa parcela das pessoas responderia com o mês do nascimento.

Já sei do que esta falando, mas por que você não perguntou na hora?


Por um período muito curto tivemos uma relação totalmente sincera, mas agora eu pareço, a mim mesmo, tão... Idiota... E não me senti no direito de questionar... Nem tenho mais coragem para isso.

Mais uma vez? E vem cá, quando você teve coragem?


Voltei a ter aquela impressão de que no final das contas só existiu um lado o tempo todo.

Eu me impressiono por você ter duvidado disso em algum momento...

Definitivamente preciso entrar de cabeça em algo se não vou pirar e escreverei no blog todo dia.

Você precisa é de uma surra pra parar de ser mariquinha

Eu preciso... Eu preciso de algo mais, que seja realmente importante, para poder pelo menos equiparar...

Do jeito que eu te conheço, e do quanto você vai ter que gostar para chegar perto da atual situação, isso vai levar tempo. E como vai...

Chocolate, óculos e direito




Quantos livros um escritor precisa para começar uma carreira internacional?
Segundo o agente de Felipe ele teve um bom inicio com o primeiro livro que quebrou, a quase intransponível, barreira dos 50 mil exemplares vendidos no Brasil.

-Para um iniciante, no nosso país, isso é fenomenal.
-Sério?
-É. Se você escrever um bom segundo livro consigo lançar ele em Portugal e quem sabe também consigo algumas traduções em espanhol para a América do Sul.
-Isso seria ótimo.
-Claro que sim. Então do que você precisa?

Felipe não sabia do que precisava.
Desde o lançamento do seu primeiro livro vinha passando por um extenso bloqueio criativo e não conseguiu escrever uma página sequer desde então. Assim, ele pediu uma viagem para um lugar inusitado e que ninguém mais o perturbasse por algum tempo.
O agente ligou no dia seguinte dizendo que uma viagem para Pernambuco, no nordeste do Brasil, estava agendada e que se ele quisesse, para disfarçar, tinha até conseguido um emprego temporário num escritório de advocacia já que ele era formado.
O escritor não pensou duas vezes e arrumou as malas para a sua “nova-temporária” vida.
Depois de estar devidamente instalado numa pequena casa, que o agente havia lhe conseguido, Felipe colocou um bom terno e foi fazer uma caminhada de dez minutos até o escritório onde trabalharia nas próximas semanas.
Ao andar pelas ruas de Olinda Felipe pode ver como as pessoas lá eram estranhamente felizes. Uns velhos, no auge dos seus 60 anos, andavam em bicicletas rindo a toa ao vender os seus doces, as senhoras sentadas na varanda de casa jogavam conversa fora e todo aquele clima litorâneo parecia estranhamente entorpecente.
O nome do escritório de advocacia era Rubens & Jonas, pois os dois irmãos, amigos de seu agente como ele descobriria depois, tinham fundado a sala de espaço considerável no centro de Olinda.

Algum tempo depois...

O trabalho na Rubens & Jonas e o clima ameno de outono em Olinda estavam ajudando e Felipe realmente voltará a escrever.

-Alô Felipe!
-Alô, quem é?!
-O seu agente oras...
-Ah... Ei, realmente esta dando certo. Estou conseguindo escrever...
-Isso é bom cara, isso é muito bom.
-É sim... Fiquei amigo da nova estagiária lá no escritório e ela...
-Desculpe cara, tenho que desligar. Pode deixar que amanhã ligo pra você. Grande abraço e não largue esse pedaço de papel e esse lápis ein... haha

Felipe não conseguiu contar naquele dia onde estava a sua maior fonte de inspiração em Pernambuco.
Tácia era a estagiária do escritório, e ele sempre achava engraçado vê-la toda enrolada, atrás das pilhas de processos a serem organizadas, com seus óculos que por algum motivo tinham uma cor verde estranha.
Tácia dizia-se Pernambucana até o último fio de cabelo e era fanática pelas praias do local e o chocolate único de uma senhorinha que vendia seu produto na esquina seguinte a do escritório dos irmãos Rubens & Jonas.
Felipe não sabia como, mas de alguma forma ela o inspirava e as palavras saiam com muito mais clareza ou, às vezes, até eram pensadas sem muito sentido, mas com o seu esforço acabavam ficando boas.

-I ae Tácia mais uma pilha de processos hoje?
-Olha Felipe eu realmente amo o direito, por que pra passar por isso...
-Calma um dia você será recompensada.
-Será?
-Vou te contar um segredo.
-Uhn... Adoro segredos...
-Eu vim para cá por que precisava sair da minha rotina e conseguir evoluir na minha profissão.
-Mas a vida de um advogado é baseada rotina.
-Essa parte eu não posso te contar, mas eu acho que um dia você saberá.
-Saberei o que?
-...

Felipe não contou, mas anos mais tarde ela leu algo sobre um escritor que começava a fazer sucesso mundialmente com a história de seu segundo livro que estava sendo adaptada para o cinema.
O filme era baseado num conto de Felipe e o nome era “Chocolate, óculos e direito”.

Definições

Há algum tempo eu achava que a palavra que melhor me definia era clichê. Às vezes sinto-me tão óbvio que qualquer pessoa, me conhecendo minimamente, saberia dizer o meu próximo ato.
Cazuza dizia-se exagerado, Renato Russo se comparou ao metal na Legião Urbana, Robert Plant disse estar atordoado e confuso no Led Zeppelin enquanto Eddie Vedder gritou, no auge do Pearl Jam, que ainda estava vivo e se questionou em "black":

“…I know someday you'll have a beautiful life,
I know you'll be a star,
In somebody else's sky,
But why, why, why
Can't it be, oh can't it be mine?!”

Essa é boa! Rs Olha com quem você esta se comparando...


Hoje pensei numa definição melhor ainda: Passional.
O dicionário Aurélio define passional como “Suscetível de, ou causado por paixão.”. Acredito que em, pelo menos, algum momento da vida as pessoas são menos racionais e agem mais de acordo com o momento. Eu sou assim quase que o tempo inteiro.
Há alguns dias pedi demissão na sala do meu chefe... Três minutos depois fui chamado a realidade, quando pensei em como eu iria pagar minha faculdade, e peguei o meu emprego de volta.

Pelo menos você soube consertar a m...

Já pensei algumas vezes em trocar de universidade, fiz uma prova de transferência para uma federal, passei e não fui por pura passionalidade, mas agora não me sinto no direito de ficar remoendo o porquê.

Isso não é passionalidade, é burrice mesmo!

Na primeira vez que pisei num ambiente universitário eu poderia ter me dado muito bem. Beleza, eu não gostava de matemática, mas um bom emprego no mundo da administração estava garantido assim como, conseqüentemente, uma vida estável e de muitas regalias.
Em vez disso troquei tudo por uma profissão que, alguns anos depois, não necessitaria mais de diploma para ser exercida e uma dose extra de ajuda, durante três anos, para inflar minha, agora, crescente bipolaridade.
Pelo menos eu gosto do jornalismo e amo a... tProfissão...

Pelo menos né...

Considerações





Durante alguns dias relutei em escrever sobre a morte do ídolo maior da musica pop mundial Michael Jackson.
Minutos depois de ter a confirmação do seu falecimento, por um canal de noticias 24 horas, comecei a escrever um texto sobre a vida de Michael que depois de terminado, e revisto, foi sumariamente apagado por mim.

A quem você quer enganar? Se ela tivesse ligado falando sobre a aquisição de um lápis novo você acharia importante a pararia tudo pra ouvir... aff


Nunca ouvi um disco inteiro de Michael Jackson, não pagaria para ir a um show dele, a não ser que meus amigos fossem pelo prazer da companhia deles, e fiquei muito satisfeito em saber, agora a pouco, que o Led Zeppelin esta sendo sondado, pelos mesmos produtores, para ocupar o lugar do “King of Pop” na serie de 50 shows que ele estava prestes a fazer.

Pensado cá com os meus botões...

Será que eu sou uma pessoa pior por não me abalar com a morte de Michael Jakson? Vejo na TV e na internet pessoas em todo o mundo se perguntando o porquê e se comovendo com uma morte tão precoce enquanto as estações de rádio fazem especiais de uma hora só com clássicos como “Thriller” e “Billie Jean”.

Você até achou a noticia do jornal MeiaHora, no dia seguinte, engraçada: “Nasceu preto, ficou branco e agora vai virar cinzas


Tudo bem. Confesso que apesar de não ser fã sempre respeitei o trabalho de Michael e nunca menosprezei a sua importância para a musica mundial.

Quem nunca tentou fazer o Moonwalker que atire a primeira pedra!

O Sr. Jackson me impressionou, quando eu era adolescente, ao gravar um show com a participação de Slash e por ter ótimas histórias na carreira como a da gravação com Van Hallen em que o guitarrista gravou o solo f... de “Beat It” num único take e depois chamou Michael para beber algo... Mas isso era tudo.
Bom, não quero correr o risco de parecer desrespeitoso, ao falar dos últimos acontecimentos (como pedofilia e a imensa divida com remédios) na carreira do ídolo Mor do pop, então vou parar por aqui deixando meu sincero respeito ao maior artista pop que já pisou no planeta.

Isso sim é inegável.