Costumes

A vida é mesmo estranha... Nada mais é para sempre.
Hoje percebi que sou diferente. Impar e na verdade muito mais do que eu esperava, pois conheço pessoas que não existem mais.
Pessoas por quem você se apaixona um dia, tem momentos muito especiais e são capazes de mudar em poucas semanas, sem nenhum motivo aparente, transformando-se exatamente naquilo que vocês dois mais criticavam juntos.
As pessoas se acostumam com a vida que tem e não tem forças pra mudar o que vivem.
Acostumamos-nos e isso traz felicidade, mas qual o preço disso?
Perder e parar de ver quem mais gosta de nós, dizer palavras duras e agressivas que machucam e com isso conseguir que uma pessoa que nos amava passe a tentar esquecer.
Onde foi parar a pessoa divertida, apaixonante e cheia de vontade que conheci meses atrás?
Desapareceu.
Sumiu da mesma maneira rápida, forte, intrigante e inevitável que entrou em minha vida.
Não vou negar que cada vez que a vir sentirei meu coração bater mais rápido, pensarei na pessoa que conheci, em tudo o que vivemos e na, pelo menos, grande amizade que poderíamos ter juntos.
Nada mais existe por que escolheu não me ter mais por perto.
Minhas lembranças de suas palavras, nas últimas ligações, não são da pessoa doce por quem me apaixonei e sim de uma critica, que despreza meu modo de viver e é incapaz de separar uma hora da sua vida para me ver mais uma vez.
Por que as pessoas mudam e por que acho essas mudanças tão negativas enquanto elas parecem felizes...
Peço perdão, pois se isso se chama felicidade continuarei o mesmo para sempre.
Não tenho vergonha de priorizar quem gosta de mim e principalmente, acima de qualquer coisa, mesmo com minha vida totalmente lotada de afazeres tenho tempo para todos que amo.
Um brinde a quem não quer mudar como eu e sabe que a única coisa que importa na vida é o seu relacionamento com quem gosta de você.
Nunca se acostume! Só se conforme com que faz você e quem te ama feliz.

Presença

Definitivamente não sei se aquela foi a música mais apropriada.
Nos conhecemos entre cervejas, músicas e a velocidade de uma madrugada que insistia em continuar a cada giro que o meu punho proferia arrancando roncos de minha motocicleta.
Ela apertava minha cintura forte quando chegamos no show, que tanto tinha lhe falado, poucas horas antes num bar.
Brindávamos numa mesa diante dos dois copos da cerveja mais cara que já comprei quando ela pediu para falar sobre a garota que eu tinha comentado.

-Por que você quer falar sobre isso?
-Por que temos pelo menos mais uma hora antes do show começar...
-Mas é uma longa história
-Eu estou com tempo... E você?

Estava cansado de falar do meu amor... Ah o meu estúpido amor.
"Tenho que acertar tudo com a minha banda e já volto" foi à desculpa que dei para ela.
Depois de muito tempo fazia uma participação num show com velhos amigos e isso parecia me deixar muito feliz.

-Voltei
-E então quantas músicas você vai tocar?
-Duas
-Quais?
-Um cover do Pearl Jam e outra minha que eles quiseram tocar
-Sua música fala sobre o que?
-Era pra garota que você tanto quer saber...

Comentei rapidamente sobre os últimos acontecimentos e ela assentia com a cabeça diante de cada fato detalhado por mim. Assim que acabei colocou o braço em volta do meu pescoço e me deu um beijo.

-Gostou?
-O que foi isso?
-Esse não é o primeiro beijo que te dou... Por que a pergunta?
-É... É... É que acabei de falar que estava apaixonado por outra garota e irei cantar a música que fiz pra ela e...
-Eu entendi. Consigo te entender apesar de confessar não gostar disso. Te beijei pra calar a boca... Você fala demais sabia?
-Já me disseram isso...
-É!

Trinta minutos depois eu era chamado ao palco e empunhando a minha guitarra comecei o riff de alive do Pearl Jam.
Era incrível estar tocando de novo e de cima do palco vi a face definitivamente expressiva de minha acompanhante.
Meu amigo vocalista anunciou a próxima canção como “a música de autoria do nosso grande amigo e convidado chamada Presença”.
Já nos primeiros acordes percebi pequenos beijos dos casais do bar que abraçavam seus respectivos acompanhantes.
Logo veio o refrão:

“pode chover quem sabe até relampejar
Mas você nada tem a temer, pois sempre estarei com você
Guerras pra depois... Batalhas já não me interessam
Por que só sua presença me deixa em paz”

Desci peguei mais uma cerveja e sentei ao lado de minha acompanhante. Ficamos três minutos nos olhando sem falar nada até que ela quebrou o silêncio com os olhos mais intrigantes que já vi na vida.

-Não sei o que pensar sobre isso... Não sei...