Simples como...

-Ela esta muito bonita hoje não acha?
-Sim
-Impressionante
-Para mim é redundante. Nunca a vi feia
-Uuuuu... Essa foi boa... rs
-Mas confesso que hoje esta especialmente bonita...

Claudio acorda e pega o ônibus para o trabalho.
Definitivamente aquele não parecia ser um grande dia por vários motivos.
Ficou no trabalho só com seu computador até a hora do almoço trabalhando, teve que carregar algumas caixas à tarde e foi chamado para ajudar num concerto elétrico que definitivamente não tinha nada a ver com a sua área de atuação.
Sentado numa bancada ele recostava-se na pilastra do local conversando com um dos eletricistas enquanto o outro tinha subido num telhado perto do seu setor de trabalho.
Contava trivialidades ao rapaz quando ouviu a inconfundível risada da menina que vinha das escadas.
Sentou-se de frente e a viu descer andando.
Armou uma frase engraçada e preparou um afago que não foram deferidos resignando-se assim a observar o novo detalhe na beleza da menina.
Sempre achou incrível o poder que os seres humanos têm em conseguir surpreender o próximo, mas aquilo acabava com qualquer teoria da monotonia no convívio temporal humano.
Parecia que o tempo finalmente tinha encontrado um adversário a altura.
Uma daquelas situações que um grande pintor gostaria de gravar num quadro, para o qual um bom músico gostaria de compor uma canção e uma daquelas em que um poeta adoraria declamar alguns simples versos sobre uma menina que descia as escadas jogando o cabelo para o lado.
Não seriam versos carregados ou com palavras subjetivas.
Eles seriam simples, inconfundíveis e atemporais como parecia ser a beleza da menina que mesmo depois de tanto tempo ainda conseguia deixar Claudio perplexo.

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