Perdi?





Quais são as características de um bom alvo para se praticar um assalto?
Eu sinceramente não sei responder a essa pergunta, mas reservo-me ao direito de assaltado: Também posso surpreender o ladrão.
Dizem que a reação de uma pessoa, por mais tranqüila ou nervosa que ela seja, é imprevisível num momento desses.
A imprevisibilidade nunca foi uma virtude muito latente em mim, mas hoje percebi por que o ser humano é tão... ah sei lá.
Faço uma caminhada considerável até a minha casa todos os dias ao voltar da faculdade, só que hoje um fato novo aconteceu: fui abordado por três homens.

- Para e passa tudo agora.
- O que?
- É o que você ouviu. Perdeu...
- Perdi?

Olhei para o lado e percebi o tamanho da encrenca. Os rapazes deveriam ter os seus dezenove-vinte anos e eram consideravelmente grandes.

- Você é surdo filho da p... Me dá a mochila.
- Se eu fosse isso seria um grande problema né?
- Ainda é engraçadinho o viad...
- Olha meu irmão hoje você vai ter que fazer mais do que xingar pra eu te dar ess...

Foi quando o homem de traz me deu um soco na costela.
Quase me ajoelhei no chão e segurei o local onde o soco havia sido dado. Sentia uma Dor descomunal.
Num último ato de idiotice, enquanto dois dos grandões puxavam a mochila das minhas costas, concentrei toda a dor do momento, e dos últimos anos, para direcionar um murro no que estava a minha frente e tinha dito as palavras iniciais.
Foi um murro e tanto... Um daqueles que você manda poucas vezes na vida.
Ele caiu.
Foi um gancho bem no queixo e eu pude ver a cara dele indo pra trás enquanto respingos vermelhos, e agora não eram os meus, tocavam pela segunda vez o chão.
Os dois grandões me largaram e foram socorrer o comparsa ferido que descobri, pelos seus gritos, se chamava Neca.
Tentei levantar mais não consegui. Eu sábia que estaria perdido se não levantasse, mas não consegui. A verdade é que depois dos últimos acontecimentos em minha vida a vontade de me erguer realmente não era das maiores.
E eles vieram para o contra-ataque com força.
Proferiam chutes seguidos sobre o meu corpo inerte no chão.
Neca se levantava vagarosamente e vinha com o punho cerrado na minha direção. Os grandões me levantaram (a dor estava pior do que antes) e me seguraram pelos braços quando Neca, num único movimento, levou o seu braço direito para trás e me deu a maior dor física que já senti.
Quase desmaiei.
Eles me deixaram no chão e a última coisa que ouvi e vi foi à imagem de Neca indo embora sendo escorado pelos seus comparsas enquanto dizia: Deixa esse pela saco pra lá.
Se eu tivesse forças gritaria: ME MATEM IDIOTAS! Por que não me dão uma morte digna!
Não tive.
Mas que merda... Não se fazem mais bandidos como antigamente...

2 comentários:

angie gallagher | 22 de maio de 2009 18:08

também me pergunto como eles fazem essa seleção... ou se estamos simplesmente no lugar errado e na hora errada... :s

Gláucio | 23 de maio de 2009 19:06

Você me fez lembrar quando andava sozinho da facul até a minah casa, raramente aparecia alguém nas ruas, dava um certo receio, mas ao mesmo tempo era legal saber que só havia eu ali, pudia cantar e ninguém iria ouvir. rsrs

Agora se alguém me abordasse eu não saberia a minha reação, acho que a primeira coisa seria correr.Mas cada caso é um caso. XD

O bom que você "perdeu" mas o cara levou. Digamos que levou literalmente... levou sua mochila, mas levou também, um belo de um soco. ^^