(Des)conhecidos





A mais ou menos um mês foi aniversário do meu grande amigo Digão.
Portador de uma personalidade definitivamente discreta ele optou pela, já tradicional, festa em casa para os parentes e amigos.
Depois de subir e descer um morro interminável, que a cada ano parece ficar maior, cheguei a casa dele e fui recepcionado pela sua mãe a Dona Mari, uma figura impagável.
Confesso que, às vezes, me divertia mais com a zoação de Dona Mari, sobre Digão, do que com as velhas piadas do meu amigo. Como aquela que Dona Mari faz questão de contar, toda vez que uma visita aparece, e que descreve a história de quando pegou o Digão dormindo no sofá de madrugada com a TV ligada num filme pornô. "O cara dormiu vendo o pornô!" era o que ela dizia no final entre um acesso de gargalhada e outro.

- Fala ae Raphael, beleza?
- Tranquilo cara. Meus parabéns e tudo de bom.
- Pô, valeu irmão.
- Trouxe até um presente pra tu.
- Putz, uma camisa do Zeppelin! Valeu mesmo cara.

Digão fez questão de me apresentar ao seu grupo de amigos um por um.
O estranho é que algumas pessoas ali eram meio conhecidas.
Pego meu ônibus matinal sempre no mesmo ponto, todo o dia, mais ou menos, na mesma hora e já me acostumei com algumas figurinhas que me acompanham no decorrer da minha espera pelo sensacional, rápido e fácil (esse comentário foi irônico) transporte público da baixada carioca.

- Esses aqui são meus amigos.
- Olá!
- Ei, você não é o cara das camisas engraçadas do ponto? (uma mulher perguntou)
- Cara das camisas engraçadas... (risos). É... Acho que sim... E vocês são o casal que vai pra Caxias.
- Isso!

Depois de uma meia hora de papo descobrimos que mesmo sem nos conhecermos criamos denominações próprias uns pros outros pela força do hábito de se ver todo dia no mesmo ponto de ônibus.
Lá estava o casal de Caxias, a Gostosa que vai pra Barra, o Militar da Vila e o Homem de cabelos brancos.
Pelo que me disseram eu era o cara das camisas engraçadas. Acho que devido a uma série de camisas estampadas por um amigo, que uso há algum tempo, e que trazem sempre uma mensagem original.
Passamos um longo tempo conversando e descobri mais sobre os outros...
É impressionante como criamos vínculos nas situações mais incomuns possíveis.

- Só tu mesmo Raphael pra dizer a garota que pensava nela como a “Gostosa da Barra” (risos)
- Ué, mas é verdade... (risos)
- Bom, por mais incrível que isso possa parecer eu acho que deu certo ela esta te dando meio mole.
- Ta doido? A gente só teve mais afinidade na conversa.
- Eu acho que não. Ela não para de te olhar.
- Hoje ela vai ficar só olhando então...
- Putz, me diz que isso não tem nada a ver com a menina da faculdade!
- Pois é...
- aff. Só pode ser sacanagem... Bom, se você não vai eu vou. Pode acabar com a minha Skol...

Trinta minutos depois ele teve o melhor presente que eu podia ter dado naquele aniversário: A Gostosa da Barra.



p.s.: As camisas estampadas são de verdade. Se alguém quiser é só deixar um coment com e-mail que eu passo o contato do cara que faz.

2 comentários:

Camilla Azuos | 14 de maio de 2009 05:23

1- Todo mundo tem um amigo chamado Digão, já percebeu?! Eu tenho um tamém, me enche a porra do saco, mas não vivo sem ele ! rs
2- Gostei da fidelidade a "menina da faculdade". Pelo jeito que vc ecsreveu, vc não está namorando (ainda). Mas já gostei de imaginar que ainda existem homens (nem digo fiéis) leais no mundo hoje em dia!
3- De quebra ainda fez um amigo feliz !
4- Fiquei curiosa pra saber das camisetas engraçadas: camillaazuos@hotmail.com (msn pode add)

Tamyris Torres | 14 de maio de 2009 09:30

Boa estratégia de marketing...
e claro, ótima história...