Vida dura

Desde muito pequeno fui educado de uma maneira franca e direta. Eu precisava ter autonomia sobre minha própria vida o mais rápido possível.
Na minha cidade todos trabalhavam em torno da construção de suas moradias e da felicidade em comum. O bem da maioria há muito tinha se sobreposto ao individualismo tão característico de tempos atrás.

Tempos esses tão distantes que não eram nem mais lembrados.

Hoje como, moradores da cidade, não temos mais que nos preocupar com os nossos semelhantes e sim com as criaturas amedrontadoras que ameaçam não só as nossas moradias mais também as vidas de todos os que nos são queridos.
As coisas gigantes sempre passam apressadas e já notamos que preferem nos matar ou destruir nossas moradias quando estão em grupo.
Meu falecido pai dizia que talvez as “horrendas coisas” fossem, no final das contas, tão covardes que só conseguiam atacar juntas.
Ele morreu num ataque de fúria de uma delas quando o bizarro ser se inflou e disparou uma ventania que destruiu metade de minha cidade.
Já esperávamos a dizimação quando uma das outras coisas chamou o nosso algoz com um urro que o fez virar e deixar de lado a sua brincadeira doentia.
Mudamos de lugar e reconstruímos nosso lar do zero.
Meu filho nasceu há algum tempo e faço questão de ensinar-lhe tudo o que sei sempre pedindo para ter muito cuidado com os horrendos seres que nos cercam.

-E se eles resolverem acabar conosco dessa vez pai?
- Temos que aprender a conviver com eles, pois são donos desse mundo pelo seu tamanho e força...
-Isso não é justo!
-Muitas coisas não são justas nesse mundo.
-E então. Esperamos até o próximo ataque aqui sentados?!
-É meu filho, vida de formiga não é fácil...

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