A mensagem













Hoje recebi uma mensagem.
Não era uma daquelas que você espera e me pegou totalmente desprevenido.
Apaguei-a.
Pensei uma, duas, três, quatro... Incontáveis vezes ensaiei o discurso, com o teto do quarto, até decidir se deveria retornar ou não.

Qual a limite entre o “privar-se da dor” e a indiferença?

Retornei e não só as palavras me faltaram, assim nada saiu como o planejado, como a tecnologia fez questão de caçoar da minha estupidez em não conseguir me controlar perante uma simples série de palavras numa tela.
Cada vez que eu não conseguia terminar uma frase, e tinha de recomeçar de novo e de novo, via as falhas na minha fala soando tão simples e tão inexpressivas que se fosse eu quem estivesse ouvindo só poderia sentir pena da pobre alma incauta que se deixou levar pelos próprios devaneios, depois de passar anos cedendo aos açoites de uma espécie de criação num mundo paralelo chamado inconsciente.
No dia seguinte, depois de passar pelas grades brancas que um país me colocou, percebi-a enquanto o sol rebatia sua luz no ornamento em eu cabelo.
Foram alguns segundos, de pura hesitação, em que quase parei para chama - lá, mas a última lembrança não tinha sido das melhores.

E quem diabos era aquela com quem tecia comentários?


Do que ela estaria falando?
Provavelmente de trivialidades como tempo, palavras, idiomas, viagens, praia ou sobre relações.

Ahh como eu queria uma mensagem agora...

Tem gente que nunca vai aprender...


"...I'll send an S.O.S. to the world
I hope that someone gets my
Message in a bottle, yeah
Sending out an S.O.S.
Sending out an S.O.S."

The Police

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