A moça

Apoiado em uma das extremidades do portão o rapaz olhava para o outro lado onde uma fileira de plantas, meio mal dispostas, se encontrava.
Um número de pessoas, maior que o esperado, saia e algumas o cumprimentavam.
Permitiu-se começar a pensar na viagem que iria fazer.
Uma decisão meio repentina, talvez até meio sem pé nem cabeça, mas que estava bem definida e fundamentada na perspectiva de se mudar totalmente de ambiente e de vida.
Seu pensamento é interrompido pela ânsia da espera e ele olha para a escada quando a vê descer.
Não era um “grande momento”.
Não era aquele tipo de situação que se vai lembrar para sempre.
A moça que ele esperava não usava uma roupa elegante e não descia as escadas com graciosidade. Na verdade era um passo apressado, talvez até meio sem jeito, mas não importava...
Era uma daquelas vezes em que a moça estava radiante por algum motivo.
As olheiras tão características pareciam um pouco menos evidentes e a cada degrau o cabelo fazia o típico movimento de quando se caminha.
A pesada mala, que a moça sempre carregava, parecia não se render aos caprichos da gravidade e ao pequeno corpo que a levava.
Era um momento cotidiano e que não teve a menor importância para ninguém, mas foi um daqueles que fizeram o rapaz entender por que Albert Einstein disse que o tempo é relativo.
Aqueles segundos foram editados em slow motion.

-Vamos?
-Vamos.