Conversa entre pai e filha

Em casa...

-O que é isso?
-Um porquinho de porcelana.
-Legal!
-Você deve colocar moedas nele até juntar dinheiro suficiente para comprar algo que queira muito.
-Eba!
-E aqui estão três moedas de um real para começar.

10 minutos depois na praça

-Moço quanto custa o balão?
-Três reais.
-Eu quero um.
-Vá pegar o dinheiro com o seu pai então.
-Não precisa. Eu tenho.
-Onde.
-No meu porquinho...

CRACK!

Let's go

Não me sinto muito bem.
Ando pensando no que eu quis, e no que tenho, e cheguei à conclusão de que estou com sérios problemas.
Acredito que, fatidicamente, consegui atingir o patamar que repudiava com veemência há alguns anos. Cheguei à conclusão de que gosto da minha profissão, mas odeio meu emprego...

Afinal de contas de que adianta amar e não poder ter...

É engraçado, mas eu realmente achei que tinha algum futuro no jornalismo...
Não estou negando as minhas habilidades, pois sei que as tenho, porém na última semana a percepção de que a minha vida não esta no rumo que eu queria veio como um soco no estômago.
Não tenho problemas financeiros... Não é por causa do dinheiro... Pode parecer meio idiota, mas é pela satisfação mesmo.
Você não deve amar o que faz pelo dinheiro, status, beleza ou seja lá o que for... Você simplesmente faz aquilo por que gosta e ponto.
Acho que o meu emprego me tornou impotente nesse sentido.

Marginalizei-me

Hoje quando fui à padaria pela manhã vi o atual time de garotos do bairro chegando para fazer um lanche depois de um jogo.
A lembrança de quando eu fazia parte daquele time foi inevitável... Era um tempo em que eu só me preocupava em ser aprovado na escola e jogar bola no fim de semana...

Ahhhhh

No próximo mês terei que fazer uma pequena entrevista com uma psicóloga (aff só pode ser carma) na agência de intercambio, pois segundo a mulherzinha, com que eu falei, eles querem saber que tipo de pessoa irá levar o nome da agência para fora.
Nesse exato momento acabei de chegar de uma festividade e me encontro consideravelmente bêbado.

Hoje não quis dar em cima das tradicionais garotas para depois ficar deitado no gramado olhando pro céu


Não sei por que cargas d’água sentei aqui para escrever, mas espero que depois que eu vá embora desse país as coisas melhorem.
Então daqui a alguns anos, se você lembrar, dê uma passadinha aqui no MATUTANDO para saber se eu consegui estabilizar a minha vida num outro país qualquer ou, pelo menos, para mais uma vez ler as lamúrias, cada vez mais freqüentes, de um tolo “jornalista” e as suas desilusões...
Ok?


p.s. Justifico os meus possíveis erros de português e concordância culpando o álcool.

Vida dura

Desde muito pequeno fui educado de uma maneira franca e direta. Eu precisava ter autonomia sobre minha própria vida o mais rápido possível.
Na minha cidade todos trabalhavam em torno da construção de suas moradias e da felicidade em comum. O bem da maioria há muito tinha se sobreposto ao individualismo tão característico de tempos atrás.

Tempos esses tão distantes que não eram nem mais lembrados.

Hoje como, moradores da cidade, não temos mais que nos preocupar com os nossos semelhantes e sim com as criaturas amedrontadoras que ameaçam não só as nossas moradias mais também as vidas de todos os que nos são queridos.
As coisas gigantes sempre passam apressadas e já notamos que preferem nos matar ou destruir nossas moradias quando estão em grupo.
Meu falecido pai dizia que talvez as “horrendas coisas” fossem, no final das contas, tão covardes que só conseguiam atacar juntas.
Ele morreu num ataque de fúria de uma delas quando o bizarro ser se inflou e disparou uma ventania que destruiu metade de minha cidade.
Já esperávamos a dizimação quando uma das outras coisas chamou o nosso algoz com um urro que o fez virar e deixar de lado a sua brincadeira doentia.
Mudamos de lugar e reconstruímos nosso lar do zero.
Meu filho nasceu há algum tempo e faço questão de ensinar-lhe tudo o que sei sempre pedindo para ter muito cuidado com os horrendos seres que nos cercam.

-E se eles resolverem acabar conosco dessa vez pai?
- Temos que aprender a conviver com eles, pois são donos desse mundo pelo seu tamanho e força...
-Isso não é justo!
-Muitas coisas não são justas nesse mundo.
-E então. Esperamos até o próximo ataque aqui sentados?!
-É meu filho, vida de formiga não é fácil...

A moça

Apoiado em uma das extremidades do portão o rapaz olhava para o outro lado onde uma fileira de plantas, meio mal dispostas, se encontrava.
Um número de pessoas, maior que o esperado, saia e algumas o cumprimentavam.
Permitiu-se começar a pensar na viagem que iria fazer.
Uma decisão meio repentina, talvez até meio sem pé nem cabeça, mas que estava bem definida e fundamentada na perspectiva de se mudar totalmente de ambiente e de vida.
Seu pensamento é interrompido pela ânsia da espera e ele olha para a escada quando a vê descer.
Não era um “grande momento”.
Não era aquele tipo de situação que se vai lembrar para sempre.
A moça que ele esperava não usava uma roupa elegante e não descia as escadas com graciosidade. Na verdade era um passo apressado, talvez até meio sem jeito, mas não importava...
Era uma daquelas vezes em que a moça estava radiante por algum motivo.
As olheiras tão características pareciam um pouco menos evidentes e a cada degrau o cabelo fazia o típico movimento de quando se caminha.
A pesada mala, que a moça sempre carregava, parecia não se render aos caprichos da gravidade e ao pequeno corpo que a levava.
Era um momento cotidiano e que não teve a menor importância para ninguém, mas foi um daqueles que fizeram o rapaz entender por que Albert Einstein disse que o tempo é relativo.
Aqueles segundos foram editados em slow motion.

-Vamos?
-Vamos.

Entre conversas e distrações

Ao iniciar o diálogo...

-Olá
-Olá
-Então Rodrigo descreva-se.
-Ok. Meu nome é Rodrigo e tenho 27 anos. Toco bateria desde os quinze, mas minhas bandas nunca deram muito certo, dei meu primeiro beijo com dez anos, perdi a virgindade com dezessete, sou alérgico a picada de mosquito, nunca pratiquei com regularidade qualquer atividade física, com exceção ao futebol na adolescência, tive um amor platônico na universidade, minha cor preferida é amarelo e...
-Rodrigo?
-Sim?
-Isso é uma entrevista de emprego. Pedi pra que você se descrevesse profissionalmente.
-Ah ta... Ok. Meu nome é Rodrigo e tenho 27 anos...

O melhor






Há alguns dias o piloto de formula-1 Felipe Massa sofreu um grave acidente no GP da Hungria que o levou a um estado de coma induzido no hospital.
Como telespectador assíduo de todas as corridas da categoria assisti pela TV o acidente do piloto brasileiro e as noticias seguintes que chegavam pela internet. Entre verdades e especulações os noticiários confirmavam a recuperação de Massa, mas ele não correria por, pelo menos, uns dois GPs.

Então quem irá substituí-lo?

Foi quando li num site que Michael Schumacher tinha acabado de aceitar o convite da Ferrari para assumir o posto de Massa temporariamente até a pronta recuperação do brasileiro.

Essa me pegou de surpresa...

Schumacher é heptacampeão da principal categoria do automobilismo mundial e seu nome consta em, mais ou menos, 95 % das estatísticas positivas da história do esporte, ou seja, se ele não é o melhor foi um dos melhores pilotos que já existiu.

Ok. Agora ele vai entrar no meio do campeonato e ganhar!

É matematicamente impossível que o alemão seja campeão, mas o que me impressiona é a capacidade de um homem ser tão superior a todos os outros em algo.

Quem pode, pode...

Imagine poder ser e saber que você é um dos melhores da história no que faz e
que se resolver voltar, depois de aposentado, ainda continuará sendo melhor do que todos. Onde ele arranja vontade de correr?

RS ...nos milhões que ele ganha e nas mulheres que ele deve ter... RS

Ser incontestavelmente o melhor deve ser difícil e saber que você o é deve ser pior ainda.

Que demagogia ridícula... Nem eu acreditei nessa...

Bom, só espero que o Massa volte logo por que não vou agüentar ver o Rubinho de novo atrás do Schumacher...

RS ...essa foi boa... RS

Então que o alemão ganhe mais dinheiro, corridas e mulheres nos próximos anos...

E que ele deixe umas pra gente também né!?


Obs: A foto mostra Schumacher em seu "carrinho" quando foi visitar Massa no hospital.

Veni Vidi Vinci




Esse documentário foi produzido pelos alunos de Jornalismo Pamela Oliveira, Raphael Oliveira, Tamyris Torres, Juliana Botelho, Cristina Jeickel e Alan Borher.

Veni Vidi Vinci conta a história do ex-fuzileiro naval Vinicius pontes que teve de reestruturar toda sua vida depois de um acidente de trânsito que o deixou paraplégico.

Obrigado por assistir. ;)
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