Não presença

Era uma dia comum como qualquer outro. Não era feriado e nenhuma data importante estava próxima.
A noite se anunciava e eu andava com aquele que viria a ser um dos meus melhores amigos quando a vi sentada no banco.
Começou a falar com meu companheiro sobre a prova recém feita.
Não sou tão pretencioso a ponto de dizer quanto ao mundo, mas com certeza absolutamente ninguém naquele corredor estava mais dislumbrado do que eu.
Vivo num lugar onde uma das sete maravilhas do mundo moderno se faz presente, mas admito que comparar com ela era algo desleal.
Desleal em todos os sentidos, pois o que mais poderia ser tão natural?
Só quem um dia a viu subir ou descer uma escada com o seu vestido a sorrir sabe do que eu estou falando.
Ela se caracteriza em cada gesto meio desengonçado, leitura de livro ou risada meio estranha que dá.
Gosto quando ela mexe no cabelo bagunçando-o e, mostrando que tem total controle, cinco segundos depois o coloca no mesmo lugar de antes com um simples balançar de cabeça.
Me divirto quando ela senta e tem uns tremiliques devido ao frio ou a outra situação externa.
Adoro quando ela mexe na orelha alheia só para perturbar e morro de rir quando ela tropeça e solta um "ai" me presenteando logo depois com um sorriso.
Hoje tenho que aprender a viver com a sua ausência, ou melhor, ausência não, pois de algum jeito tenho guardado o seu cheiro e o seu sorriso comigo... Hoje sou obrigado a aceitar a sua não presença...

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