A mensagem

Hoje recebi uma mensagem.
Não era uma daquelas que você espera e me pegou totalmente desprevenido.
Apaguei-a.
Pensei uma, duas, três, quatro... Incontáveis vezes ensaiei o discurso, com o teto do quarto, até decidir se deveria retornar ou não.
Qual a limite entre o “privar-se da dor” e a indiferença?
Retornei e não só as palavras me faltaram, assim nada saiu como o planejado, como a tecnologia fez questão de caçoar da minha estupidez em não conseguir me controlar perante uma simples série de palavras numa tela.
Cada vez que eu não conseguia terminar uma frase, e tinha de recomeçar de novo e de novo, via as falhas na minha fala soando tão simples e tão inexpressivas que se fosse eu quem estivesse ouvindo só poderia sentir pena da pobre alma incauta que se deixou levar pelos próprios devaneios, depois de passar anos cedendo aos açoites de uma espécie de criação num mundo paralelo chamado inconsciente.
No dia seguinte, depois de passar pelas grades brancas que um país me colocou, percebi-a enquanto o sol rebatia sua luz no ornamento em eu cabelo.
Foram alguns segundos, de pura hesitação, em que quase parei para chama - lá, mas a última lembrança não tinha sido das melhores.
E quem diabos era aquela com quem tecia comentários?
Do que ela estaria falando?
Provavelmente de trivialidades como tempo, palavras, idiomas, viagens, praia ou sobre relações.
Ahh como eu queria uma mensagem agora...
Tem gente que nunca vai aprender...
"...I'll send an S.O.S. to the world
I hope that someone gets my
Message in a bottle, yeah
Sending out an S.O.S.
Sending out an S.O.S."
The Police
Preço e ascenção
No supermercado...
-O que é isso mãe?
-Isso é caviar. Só as pessoas ricas comem.
-Uhn.
-Olhe! Como esta barato!
-Mãe eles estão com a validade vencida. Veja aqui atrás. (O garoto mostra o produto)
-Ahh, mas é caviar e esta tão barato.
-É verdade... Tão barato...
-Vou levar três.
-Beleza! Yeah!
No dia seguinte em casa com uma visita...
-Noooossa que chique vamos comer caviar?!
-Sim
-Seu marido esta realmente bem nesse emprego ein...
-O que é isso mãe?
-Isso é caviar. Só as pessoas ricas comem.
-Uhn.
-Olhe! Como esta barato!
-Mãe eles estão com a validade vencida. Veja aqui atrás. (O garoto mostra o produto)
-Ahh, mas é caviar e esta tão barato.
-É verdade... Tão barato...
-Vou levar três.
-Beleza! Yeah!
No dia seguinte em casa com uma visita...
-Noooossa que chique vamos comer caviar?!
-Sim
-Seu marido esta realmente bem nesse emprego ein...
Desanimado

Jorge nunca tinha se sentido tão desanimado na vida.
A pior parte se encontrava na impotência em ter de existir com tudo o que, com certeza, ainda teria pela frente. Era um homem que sempre criticou os grunges loucos, dos anos noventa, que faziam musica, ganhavam rios de dinheiro, tinham várias mulheres e mesmo assim sentiam falta de algo na vida.
Por que será que isso incomoda tanto...
Conheceu algumas pessoas interessantes.
Alguns necessitavam de muito, num espaço curto ou grande de tempo, outros se resignavam ao menor índice de satisfação adquirido, pois sempre lhes foi imposta a menor porção, e uma minoria simplesmente não tinha motivo algum.
Jorge fazia parte do terceiro grupo. Não tinha motivo para amar e passou a escrever para não bitolar totalmente. Escrevia com tal voluptuosidade que acabou ganhando alguma destreza com as palavras que lhe eram tão importantes.
Sentia-se preparado até mesmo para dizer que não sabia sobre determinado assunto quando encarou a questão mais complicada da sua vida. Jorge foi questionado, pela única pessoa que o atordoava completamente sobre querer ou não o primeiro-último beijo.
Não conseguiu pensar em outra resposta a não ser um ridículo: “Eu não sei”
Ele poderia ter dito qualquer coisa, poderia ter citado um poema, poderia ter dado uma daquelas suas cantadas prontas, que sempre funcionavam, por favor(!!), ele poderia simplesmente ter partido para o ataque, mas ficou estático enquanto a tola frase era proferida pela tremula boca: “Eu não sei”.
Ficar nervoso na vida é normal, mas se você pratica o ato há algum tempo, com outras pessoas em outras situações, acredito que ele comumente se torne usual, porém não era o que estava acontecendo.
As palavras que lhe eram tão amigas se rebelaram e o deixaram no momento mais precioso.
O problema não era a palavra e sim para quem ela estava sendo dirigida
Tentou mais uma vez puxar o ar para dizer algo novo, mas tudo o que saiu foi mais um “Eu não sei”.
...
Apesar dos minutos seguintes terem sido os melhores da sua vida em algo Jorge tinha completa razão: ele definitivamente não sabia. Não sabia como proceder, agir e se portar para com ele mesmo, ele estava... Ele queria... Ele não soube mais o que dizer, ele nunca mais saberia o que dizer.
Jorge nunca tinha se sentido tão “down” na vida. Nunca tão desanimado com tudo.
Importâncias
Num teste para um grande clube de futebol...
-Você não passou.
-Como assim não passei?
-Calma. Terás outras oportunidades. Tu ainda és jovem e...
-E nada! O futebol é a minha vida! A vida que mais amo ter!
-Ok. Vou ser sincero: Não acho que você chegara a ser um jogador profissional.
-...
-...
-E... E... E o que eu farei agora?
-Você eu não sei, mas eu vou sair com a minha mulher no final de semana.
-Você não passou.
-Como assim não passei?
-Calma. Terás outras oportunidades. Tu ainda és jovem e...
-E nada! O futebol é a minha vida! A vida que mais amo ter!
-Ok. Vou ser sincero: Não acho que você chegara a ser um jogador profissional.
-...
-...
-E... E... E o que eu farei agora?
-Você eu não sei, mas eu vou sair com a minha mulher no final de semana.
O Pearl Jam esta com um novo album na praça intitulado Backspacer.
Eu sairei daqui a pouco para comprar, então aqui vai uma das antigas do PJ executada por Eddie Vedder e seu violão.
Pearl Jam - Eldery woman behind the counter in a small town (tradução)
Eu pareço reconhecer seu rosto
Assombrado, familiar, ainda
Parece que não posso ocupá-lo
Não acho uma idéia para iluminar seu nome
Os momentos estão presos comigo...
Todas estas mudanças tomando o lugar
Eu gostaria de ver o lugar
Mas ninguém jamais me conquistará...
Corações e idéias apagam-se, desaparecem...
Corações e idéias apagam-se, desaparecem...
Eu juro que reconheço sua respiração
Memórias como digitais
Estão lentamente se levantando..
Eu, você não se lembraria
Porque não sou meu precedente
É dificil quando seu orgulho está por cima da
prateleira..
Estou mudado mas na verdade nada mudou
Cidade pequena determina meu destino
Talvez aquilo que ninguém quer ver...
Eu só quero gritar... Olá...
Meu Deus, isso tem sido tão longo
Nunca sonhei que você poderia voltar
Mas agora você esta aqui, e cá estou eu
Corações e idéias apagam-se, desaparecem...
Corações e idéias apagam-se, desaparecem...
Corações e idéias afastam-se...
De papo na praça

O dia estava lindo.
Era um daqueles em que, após dar uma rápida olhada para o céu, você diz: A praia deve estar ótima agora...
Atravessamos a rua de mãos dadas para chegar à praça e sentar em um dos bancos
Era estranho saber que, durante toda a minha vida, sempre que eu atravessei a rua perto de casa tive de dar as mãos para Renata.
Desde os seus dez anos, quando presenciou o seu irmão menor sendo atropelado, Renata tinha um cuidado triplicado quando ia mudar de calçada.
Sentamo-nos
Como de costume abri minha lata de cerveja na mesa enquanto ela saboreava uma pipoca doce recém adquirida.
-A cerveja esta gelada João?
-Não tanto quanto eu gostaria, mas da pro gasto.
-Eu brindo a isso... (levantou a pipoca com um gesto de brinde)
-Ok... (fiz o mesmo)
Começamos a conversar e ela mais uma vez, como maior conhecedora, começou a me questionar sobre a vida que eu levava.
Há muito tempo Renata dizia que estava na hora de eu crescer e parar de usar as roupas de sempre, dizia que eu deveria arrumar um emprego de verdade e finalmente me portar como gente grande.
-Você não acha que estou certa?
-Acho que ainda sou jovem e essa é a hora de arriscar.
-Você não tem mais dezesseis anos sabia?
-Uhun.
-E acha que é legal ficar bêbado todo final de semana?
-Veja como um hobbie.
Levantei o copo para mais um brinde, porém não fui correspondido
-Continuo achando uma babaquice.
-Não fala assim.
-Pelo menos você vai viajar e não precisarei mais ajudar o bebum aí a mentir para a própria mãe toda vez que chapa.
-Ahh temos boas histórias vai...
-É verdade.
-Essa merece um brinde?
Tim tim
-João?
-Oi
-Promete que vai voltar trazendo dólares e um amigo gringo bem bonito pra mim um dia?
-Pode deixar.
Renata e eu temos essa amizade há tanto tempo que nem lembro mais quando a conheci e apesar de ela ter uma beleza totalmente destacável nunca a cantei uma vez sequer.
Ela é a garota mais ranzinza do mundo, mas sempre soube apoiar as minhas maiores maluquices.
Acho que é por isso que sempre fomos amigos
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