Mas, é só uma lembrança...



Sempre tive muito pouco contato com o meu pai.


Só tinha um momento no ano em que conseguíamos passar o dia inteiro juntos: na reunião do final de ano do Onze de Ouro, o time mais importante do bairro.
Todos os jogadores levavam os seus filhos para uma confraternização num sitio alugado pelo time e o dia era regado a muito churrasco, cerveja e refrigerante.
As atividades começavam pela manhã, ainda na cidade, onde todos se reuniam na já extinta padaria do Ivan. Lá os bebuns e seus respectivos filhos eram recepcionados pelo Carlinhos que insistia em comprar um monte de fogos todos os anos e soltar no dia da viagem para o sitio só pelo prazer de fazer barulho.
Tomávamos o café da manhã cedido gentilmente e de graça, que era o melhor, pelo Ivan e entravamos no ônibus para ir até o sitio.
Algumas histórias de lá foram impagáveis e acho que jamais vou esquecer como a vez em que o Bira, cabeça de área, quis passar o dia inteiro dentro da sauna e só foi acompanhado pelo cheiro de eucalipto e uma caixa de cerveja. Na saída ele era um cara magro com a maior pança de cerveja que eu veria na minha vida.
Ahh, e aquela quando revelei no sitio para o meu pai que estava namorando a filha do Zé, quarto zagueiro e melhor amigo dele.

Nunca vou me esquecer daquela situação.

Logo depois do meu comunicado ele virou lentamente (como no matrix, é como eu me lembro hoje) e gritou ao Zé que estava na churrasqueira:

- Zé!
- Fala cumpade!
- O Raphael ta comendo a sua filha! hahaha
- Que porra é essa meu irmão!?
- Sério! Hahaha

Acho que foi por isso que naquele dia o meu pai saiu com a perna toda ferrada, depois de uma entrada violenta do Zé no futebol, e duas semanas depois tive que terminar o meu namoro por que não conseguia mais vê-lá direito...
O fato é que o meu pai achava que esse dia do ano sempre compensou os outros 364 de quase total ausência.
Nunca liguei pra isso, as figuras paternas na minha infância sempre foram os meus tios que tinham algumas características bem destacáveis. Um era botafoguense fanático e outro tinha sérios problemas com bebida.

De repente isso explica os meus vícios mais evidentes hoje: o Botafogo e o álcool.

Já faz algum tempo que assino o meu nome excluindo a última parte que caberia a ele e isso me gerou uma ridícula insistência da minha mãe em levar-me a uma psicóloga.

Odeio psicólogos!

Por que eles acham que tudo tem uma explicação?
Por que eles acham que eu gostaria de uma maior aproximação com ele?
Será que nunca ocorreu a ela (psicóloga) que eu simplesmente não posso ter uma relação mais intima com alguém que eu pouco convivi e que não tem nada a ver comigo.

Não temos os mesmos gostos para absolutamente nada!

Bom, no final da viagem do sítio sempre voltava empanturrado de refrigerante e churrasco além de estar exausto de tanto jogar futebol.
Apesar de tudo aquele dia do ano sempre se tornava um dos melhores.
Mas, é só uma lembrança...


p.s.: essa minha foto ridícula, foi tirada numa festa caipira lá no sítio.

3 comentários:

Camilla Azuos | 19 de abril de 2009 09:31

1- Vc me fez parar pra pensar sobre minha relação com meu pai.
Tenho o meu há 20 anos (21 amanhã!), e sempre brigamos, nos xingamos, nos ofendemos.
Tenho certeza que quando ele se for, vou sentir saudades e vou me arrepender de não ter tido uma relação educada com ele.
Portanto, Rapha, por mais que "não tenha nada av", pq vc não tenta? Nunca é tarde para de aprender a dançar um funk, assistir um desenho tosco, beber suco de pozinho. Pq não, dar uma chance pra uma das pessoas que mais te amam nesse mundo?!
2- Tb odeio psicólogos. Tenho trauma. Minnha mãe me enfiou numa tb quando eu tinha uns 6, 7 anos.
3- Ta aí a postagem das formigas, tá tosco pq meu teclado tava desconfigurado na época, mas fcou um bom texto:
http://camilla-azuos.blogspot.com/2008/05/formigas.html
4- A sua foto está fofa!! Para de graça !!

Bjão!

Gláucio | 23 de abril de 2009 08:58

Relacionamento filhos e pais, sepre tem aqueles que conseguem se sair bem,mas a grande maioria acaba não tendo a figura paterna como fonte presente na vida.

Eu lhe digo uma coisa, eu tenho meu pai "presente", moramos na mesma casa, mas é como se não estivessemos no mesmo lugar, existem coisas que não há como mudar, mas não existe nada que prove que é impossivel.

Alguns tem sorte, outros não, mas quem sabe a história terminde bem.

Ah! Ri pacas com teu pai falando de você e a filha do Zé. XD

Vlw pelo comentário no Rockeriot, já estou lhe seguindo.

abç

Gláucio | 23 de abril de 2009 09:02

Sobre o plágio de "Viva La Vida" eu cheguei a ouvir a versão original, há uma certa semelhança mesmo, mas não é tão parecida assim, resta esperar para ver o resultado disso.

Eu não tinha pensado por este lado [cover de uma música plageada] rsrsr É bem estranho ver por esse lado. rsrsrs