Baderna capitalista



Dia desses estava vendo o ótimo filme The Happening (traduzido para português como “Fim dos Tempos”) do diretor M. Might Shyamalan...
O filme conta, em linhas gerais, a história de uma toxina mortal que leva as pessoas a se suicidarem e que é liberada pelas plantas, em uma determinada área, como se fosse uma forma da natureza avisar aos seres humanos que o que eles estão fazendo é errado.
Tendo isso posto comecei a pensar que se um fato tão absurdo se torna-se realidade provavelmente não conseguiria atingir o seu objetivo.

Nossas vidas são impregnadas de conceitos demais para acreditarmos em algo do tipo!

Começando pela absurdidade da situação.
Quem teria a audácia de por em risco a sua credibilidade dizendo que as plantas estavam tornando aquele massacre uma realidade?
Tenho a convicção de que se o fato ocorresse somente em uma parte dos EUA, como no filme, o mundo inteiro ia achar que era um ataque terrorista.
Nossos sociólogos de plantão não acreditariam no atestado dos cientistas de que há algo maior que nos guia e achariam uma questão política para explicar o fato, o líder estadunidense diante da calamidade começaria a preparar a retaliação ao alvo apontado, a China ia querer se aproveitar da situação para assumir o primeiro lugar no capitalismo mundial e o caos estaria instalado.
Quem poderia salvar o mundo?

Com certeza não o Chapolin Colorado e muito menos o Super man...

Não há uma maneira de precaver os seres humanos do caos por que não estamos prontos para sermos alertados.
Temos dogmas demais e preferimos exaltar o luxo e a propriedade privada do que qualquer força superior que possa nos governar.
No campo as maquinas substituíram os agricultores, nossos rios sofrem com a poluição de navios petroleiros e pólos petroquímicos já viraram até paisagem em cartões postais, as cidades sofrem com os detritos que percorrem as ruas e alagam-nas fazendo dos dias de chuva um martírio enquanto a Amazônia junto com os pólos norte e sul são destruídos aos poucos.
Nossas terras estão cercadas e cada canto tem um dono, a liberdade de expressão vem sendo usada como desculpa para mostrar pornografia na TV, milhares de carros são fabricados a cada hora que passa e a pergunta que não quer calar é: Pra onde vai todo o CO2 produzido pelo mesmo petróleo que é motivo de guerra no oriente médio?

Eu tinha um bom palavrão para essa, mas prefiro não dizer...

Sejamos sinceros... O que nos importa é o materialismo, o acumulo e o pensamento individual. A histeria do mercado nos leva a valorizar a propaganda e tudo o que ela vem para pregar. Há “brainstorms” para impregnar um produto de conceitos então não seja um perdedor e sim uma pessoa cool que sabe o que quer e aonde quer: Compre!

Acabei de perceber que fugi um pouco do tema em meu delírio...

E não adianta questionar-se sobre se um dia algo do tipo “The Happining” acontecer por que a resposta é simples: Nós não perceberíamos o aviso simplesmente por que somos seres humanos e toda essa baderna nos excita.

Toda essa baderna me excita...

1 comentários:

Tamyris Torres | 29 de março de 2010 08:22

eu acho com toda a minha humildade...rs Esse sábado eu tive uma discussão bem demorada sobre quem tem o poder nas mãos e não faz nada para tentar melhorar a nossa situação atual. E concordando com o meu rival intelectual em um ponto de nossa discussão, chegamos num raciocínio simples: quem poderia ajudar, melhorar, dar de sí não o faz simplesmente. Se vivemos num país em que a alta é o individualismo (isso é óbvio porque vivemos da lógica do capital e não tem como fugir do individualismo), pelo menos tentar diminuir toda essa satisfação em cuidar de si e esquecer dos outros. Todo mundo precisa ser ajudado (mesmo sem saber que precisa) e quem poderia fazer isso por estas pessoas simplesmente se enche de conhecimentos e na hora de por na prática acaba passando tudo isso que ele aprendeu durante anos a meia dúzia de pessoas. Quem são esses intelectuais? Sociólogos. Que estudam, estudam, estudam e alguns acabam até virando presidente da República (vide FHC e sua imensa burrada e re-eleição), mas não contribuem em nada. Os jornalistas que tem um furo nas mãos e que por imposição do seu veículo não publica ou publica omitindo fatos visando o seu empreguinho e seu umbiguinho. Na boa, eu não pensaria duas vezes se o meu emprego estivesse em perigo se eu tivesse um boom nas mãos. Eu sou jornalita e como dizem por aí, nós desta área costumamos achar que somos Deus. E de certa forma nós temos sim o poder nas mãos e não é qualquer empresariosinho de meia-tigela que vai me prender num empregosinho. É começando a pensar na coletividade que o mundo se transforma. E a melhor forma de sair do ostracismo é arregaçar as mangas e ajudar quem precisa de educação. Transformar a coletividade em seres pensantes. Em pessoas capazes a dizerem não para quem os reprime.

acho que é só...